-   -  Tuesday 20th of August 2019 -  www.kaluach.org

Quem esta on-line

Nós temos 83 visitantes online

Facebook Friends

Connect with Facebook
Home Auto-ajudaica A PACIÊNCIA VENCE
Adicione no Facebook Adicione no MySpace Siganos no Twitter Veja os videos no Youtube
A PACIÊNCIA VENCE PDF Imprimir E-mail
Escrito por Paulinho Rosenbaum   
Qua, 21 de Maio de 2014 07:37
AddThis Social Bookmark Button

Este texto foi escrito originalmente em Hebraico pelo Rabino Shelomo Eliezer Schik, shlit"a (comunidade Breslav de Yavniel em Israel), com base nos ensinamentos de Rabeinu Nachman ben Feiga de Breslav, de abençoada memória que por sua vez foram transcritos e compilados por Rabi Natan de Breslav, de abençoada memória.

Prefácio

Neste folheto, elucidamos a grandeza da pessoa que se fortalece com a virtude da paciência. Quando isto acontece, a vitória do lado espiritual sobre o lado material é certeira. As palavras aqui escritas tem a capacidade de fortalecer e encorajar todos os que desejam incorporar a preciosa virtude da paciência a suas vidas, pois ela engloba as demais virtudes.

 

 

1.

O objetivo de cada pessoa neste mundo


 

Meu estimado/a!

É preciso que você saiba que a paciência é a mola mestre da vida e que sem ela é impossível fazer nossa jornada neste mundo; pois não há criatura alguma que não tenha sofrido tribulações ou crises e se não nos fortalecemos com a virtude da paciência, podemos por tudo a perder.

A paciência é à medida que faz o nosso sucesso, tanto no campo material quanto no espiritual. Quem deseja prosperar financeiramente – quando abre um negócio ou atividade similar, precisa munir-se de paciência, pois sabe que leva algum tempo até os primeiros clientes surgirem e o seu negócio tomar impulso.

Se um comerciante desiste logo ao surgirem os primeiros problemas, mina suas chances de ver seu negócio dar frutos. Mas quem tem nervos de ferro, é persistente e diz a si mesmo: "Nada nem ninguém vai me fazer desistir", verá seu negócio prosperar. Isto com relação ao sucesso material.

No campo espiritual a paciência é exponencialmente mais relevante, pois se o homem quiser atingir níveis nos quais possa sentir toda a santidade Divina e sentir que o próprio D-us está ao seu lado, precisa adquirir para si a virtude da paciência.

É preciso saber sofrer, aguentar e suportar o fardo da vida a cada dia que passa, acorrendo à sinagoga pela manhã, à tarde e à noite para rezar, cobrir-se com o Talit e colocar os Tefilin, consumir somente alimentos casher, observar as leis do Shabat, rezar para Hakadosh Baruch Hu, pedir por Ele, bendito seja para preencher todas as suas necessidades, confiando que receberá tudo o que solicitou; pois tudo o que pedimos para D-us – Ele nos concede.

Por que, então, vemos gente que reza uma, duas, infinitas vezes e depois desistem alquebradas? Porque elas simplesmente não têm paciência.

Se realmente tivessem paciência - a paciência dos Tsadikim –, que tem paciência de ferro elas saberiam que "a paciência vence"; pois no final de tudo, quando o homem se fortalece em suas orações, buscando todos os dias pelo Altíssimo e despejando seu coração para Ele, bendito seja – no final triunfará e se tornará um recipiente da Luz Divina.

O mesmo se dá no estudo da nossa sagrada Torá, que de início parece ser tão difícil de ser compreendida, e sobre isto dizem nossos Sábios (Kidushin 30): "Disse o Todo-Poderoso: criei o Iétser Hará, mas [em compensação] criei a Torá com antídoto".

O Altíssimo criou o Iétser Hará para que o homem tenha liberdade de escolha e sobrepujar seus testes, pois não fosse o Iétser Hará, e todos pudessem sentir de perto a revelação da Luz Divina sem qualquer impedimento, não haveria a necessidade de criar um ser humano e colocá-lo dentro de um mundo material e físico como este, pois o Altíssimo tem a Seu serviço hostes de anjos que são puro fogo celestial, almas sem corpo, que estão sempre na Sua Presença, sentindo de perto toda a espiritualidade Divina.

Mas o Todo-Poderoso fez o homem e o pôs num mundo material e físico, repleto de problemas e incidentes, temores e falhas, revestindo o homem com um Iétser Hará enorme, que queima dentro de si, atraindo-o para todo o tipo de luxúria e bobagens e, contudo, o homem consegue dar a volta por cima e retornar a Ele, bendito seja – esta é a escolha que foi dada ao homem e aqui reside a grandeza de cada judeu, pois ele foi dotado de livre escolha.

Mas para podermos vencer o Iétser Hará, é preciso estudar Torá, pois a Torá é a Suprema Sabedoria Divina. Quando um judeu tem o mérito de estudar diariamente: Chumash, Mishná, Guemará, Midrash, Halachót e Agadót, isto refina o seu espírito e aos poucos ele começa a assimilar a Sabedoria Divina, até tornar-se um recipiente receptor da Luz do Ein Sof, Baruch Hu (O Infinito, bendito seja).

No início tudo é tão difícil, porque o Iétser Hará faz de tudo para que esta pessoa não estude Torá, pois ele sabe que do momento em que ela assimila o estudo das coisas sagradas, consegue vencê-lo com facilidade. Por isso, no campo espiritual, é preciso saber que só "a paciência vence".

Se você não desistir, estudando todos os dias, obstinadamente, um pouco de Chumásh, um pouco de Mishná, de Midrash, algumas Halachót e Agadót, no final terá concluído todo um ciclo do estudo da Torá e se tornará um Chacham (sábio), aceito e apegado ao Altíssimo; mas para isto é preciso ter muita paciência, do contrário – não terá sucesso.

É preciso inculcar bem esta idéia dentro da mente, sabendo que: "Se eu quiser vencer o Iétser Hará que arde dentro de mim, se eu quiser ter sucesso no novo negócio que abri, no emprego que assumi, então eu preciso adquirir a preciosa virtude da paciência", pois "a paciência vence" – tanto no plano material quanto no espiritual.

Este é o principal fundamento de todo aquele que deseja triunfar tanto neste mundo, quanto no Mundo Vindouro.

2.

Paciência consigo

Meus queridos! Sabemos que a natureza de cada ser humano é diversa: alguns tendem a irar-se com mais facilidade, pois o fogo da raiva queima dentro de seus corações; outros estão em constante estado de melancolia, pois dentro de si reina a frieza do pó da terra; outros querem consumir tudo o que vêem pela frente, pois a paixão pelo materialismo é como um fluxo de águas incessantes dentro de si e outros ainda, falam sem parar, como os ventos que sopram constantemente em todas as direções. Pois o homem é constituído destes quatro elementos: fogo, ar, água e terra, de onde provém todas as virtudes do caráter humano – para o bem e para o mal.

O elemento fogo, faz com que o homem deseje aproximar-se cada vez mais de D-us, uma vontade constante de fazer Teshuvá; seu coração arde por retornar ao Altíssimo, bendito seja e ser incluído na sua Luz Infinita, sentindo cada vez mais a espiritualidade Divina, o ardor por tornar-se um Tsadik, Chacham e Mekubal.

Por outro lado, desejos opostos também ardem em seu coração – o desejo pelo profano, pelas paixões materiais e os defeitos de caráter: é tão nervoso que não consegue se controlar; a raiva o tira do sério e o menor incidente o enraivece, como que roubando-lhe a vida.

Ele chega a queimar de tanto desejo físico e precisa ficar olhando para tudo o que é indecente e que lhe possa trazer imagens proibidas à mente, como por exemplo: mulheres ousadas e as que se vestem de maneira indecente, fotos proibitivas, D-us não o permita, e tudo isto porque o Iétser Hará queima em seu coração.

Portanto, é preciso que o homem realize um trabalho interior para controlar este fogo, por um lado – e não se deixar levar pelo profano e pelo impuro, e por outro – precisa cuidar de não se deixar arruinar em demasia, para que possa usar este fogo em benefício de sua Teshuvá, da busca por D-us, de modo controlado e paulatino.

Mas isto leva tempo, por isto, é preciso que o homem aprenda a esfriar o fogo que arde dentro de si e isto não se faz do dia para a noite, mas ao longo de dias, semanas, meses e às vezes, anos.

Para que o homem tenha sucesso em controlar o fogo das paixões e da atração pelo físico que ardem dentro de si, precisa munir-se de extrema paciência e se assim for, deve saber que "a paciência vence", que por meio dela o homem conseguirá dominar seu fogo interno e que seu coração não arderá por nada mais que não seja aproximar-se de D-us e de retornar em Teshuvá de modo moderado, sem tornar-se um extremista. Para chegar a isto é preciso tempo e esforço.

O principal é ter paciência; pois somente com muita paciência o homem logrará vencer o fogo que queima dentro de si.

Para certas pessoas, o elemento terra domina o caráter, por isto estão sempre tristes, deprimidas e sentem-se amarguradas. Quando alguém lhes pergunta: "O que houve contigo?", não sabem o que responder e entram num clima de baixíssimo astral, como se estivessem vivendo na escuridão e em constante estado de melancolia.

Na verdade, elas querem alegrar-se, sentir a Luz Divina, ver a luz da vida, estar bem, alegres, mas estão sempre cabisbaixas, por isto precisam se esforçar em especial, para vencer sua tendência de deixar-se levar pela depressão. Isto é possível, mas é preciso paciência, e um trabalho demorado, dia após dia, semana após semana, mês a mês e às vezes, ano após ano, até saírem da casca da amargura.

Se esta pessoa se conscientizar de que, com muita paciência e trabalho continuo consigo mesmo, conseguirá no final dominar sua tendência à tristeza, terá constatado que "a paciência vence".

Saiba você, meu querido que se alguém cai na trama da tristeza, da solidão e da depressão, pode levar anos para livrar-se delas, porque a pessoa que se encontra neste estado, em geral não deseja estar na presença de outras pessoas, não quer falar com ninguém, chega a adoecer por isto e a única coisa que quer é ficar sentada em casa num quarto escuro, isolada de tudo e de todos. A razão disto é o elemento terra que domina seu espírito, levando-o a sentir-se amargo e deprimido, desejoso de sentar-se no escuro e sem disposição para tolerar quem quer que seja.

A única possibilidade de sair desta situação é ser paciente consigo mesmo e começar a trabalhar dentro de si a vontade de sair de casa e ver mais pessoas, conversar com elas, alegrar-se e alegrar todos os que estão à sua volta. Se for paciente, verá que "a paciência vence".

Em algumas pessoas, o elemento dominante do caráter é a água. Quando isto acontece, o resultado é uma pessoa gulosa e que não consegue controlar seus desejos, D-us não o permita.

É este o caso dos adúlteros, que precisam porque precisam olhar constantemente para tudo o que seja indecente pelas ruas e nas fotos das bancas de jornal, que Hashem tenha piedade de nós, a tudo o que aquece o sangue e traz o desejo físico – quando se olha muito para algo proibido, isto penetra o espírito como um ato de loucura; uma gulodice desmedida, uma avidez incontrolável por dinheiro, até enlouquecer para conseguir tudo o que seu coração deseja.

Isto também não pode ser controlado, senão pela força da paciência: é preciso que o homem seja paciente consigo mesmo e não se deixa levar pela cobiça, pelo apetite desenfreado, pelo gosto por dinheiro, pois estes três pecados são os três principais algozes do homem e quem se deixa dominar por estes defeitos, pode ser levado à loucura por eles. Pois quem cai no adultério, não consegue sair com facilidade; quem se torna guloso não consegue se livrar da comida e da bebida e isto se torna um tormento para ele. Quem corre todo o dia atrás do dinheiro também será enlouquecido por ele.

É preciso que o homem trabalhe o seu caráter para livrar-se de todos estes males, mas é preciso saber que isto não se dá de um dia para o outro, mas dia após dia, podendo levar anos, pois o trabalho interno deve ser constante e crescente, sem deixar se abalar por fracassos temporários, porque no final das contas – "a paciência vence" e a pessoa consegue se livrar de todos os seus males.

Alguns são acometidos pelo poder do elemento ar, que os faz desatar a falar desmedidamente, sobre tudo e sobre todos, sobre todos os seus pensamentos, fazendo com que os demais não suportem sua presença. Isto é uma doença, como o resto das doenças. Principalmente quando o homem falha num dos mais graves pecados – Lashon Hará, precisando fazer sempre algum comentário sobre o próximo. "Por acaso alguém lhe perguntou alguma coisa?" Obviamente que não! Mas ele sai por aí tagarelando sobre tudo o que lhe apetece – fulano fez isto, sicrano fez aquilo e assim por diante. Ou senão, vive dizendo gracinhas e fazendo troça de todos, sem respeitar ninguém. Fala besteiras e diz bobagens, arrumando desavenças por nada. Tudo isto lhe custa muito e esta pessoa não quer senão livrar-se destes defeitos; pois quem cai neste martírio – falando sem parar dia e noite, falando mal de tudo e de todos, tem uma vida amarga e sofrida, pois ninguém tolera um indivíduo assim e nem ele tolera a si mesmo.

Mas nada está perdido; é possível vencer este defeito, mas isto pode levar muito tempo; não se trata de dias ou de semanas, mas de anos a fio, trabalhando o próprio caráter pacientemente, sem perder os ânimos, até vencer esta mania por completo – pois "a paciência vence".

Aprendemos aqui, que todas as paixões e desejos do homem provêm dos elementos fogo, terra, água e ar que compõe o seu corpo e que atuam dentro de si. Por isso, se quiser derrotá-los, precisa munir-se de paciência; pois não podemos nos desprender das influências negativas destes elementos da noite para o dia.

Quem for consciente disto e empenhar-se no aprimoramento do seu caráter, dia e noite, durante todos os dias do ano; por um lado, nunca entrará em estado de depressão, por outro, não será uma pessoa nervosa, gulosa, mexeriqueira e nem passará o dia comentando futilidades.

Sua alma será plena, tranqüila e envolta com a presença de Hashem, bendito seja. Pois estes quatro elementos, fogo, terra, água e ar, assim diz o Arizal, provém das quatro letras do Tetragrama, o Nome Inefável de Hashem, bendito seja. Se o homem consegue refinar estas quatro forças operantes dentro de si, fará com que a luz destas quatro letras o ilumine constantemente, fazendo de si uma pessoa paciente e sossegada, pois estará conectada com a Fonte Divina da vida. Mas para que isto aconteça é preciso saber que só a "paciência vence" – que com tenacidade e persistência o homem refina-se e torna-se um grande Tsadik, e que trabalhando pacientemente seu caráter, conseguirá vencer todas as forças que operam dentro de si. Bem aventurado seja quem logra fazê-lo!

3.

Paciência na vida conjugal

Meu querido! Minha querida! Você precisa saber que não há sucesso na vida conjugal sem que haja muita paciência. A natureza do homem é diametralmente oposta à da mulher. Se os dois souberem arquivar suas diferenças e forem constantemente pacientes uns com os outros, seu casamento será uma ilha de felicidade e amor, um verdadeiro paraíso, como foi o de Adão com Eva antes de pecarem; os dois não viam ou sentiam nada que não fosse puramente Divino e isto qualquer um de nós também pode conseguir – se souber ser paciente.

O esposo precisa saber tolerar tudo o que lhe fizer a mulher, mesmo que não seja do seu agrado. É preciso que o marido seja paciente com sua esposa e a julgue favoravelmente, pois é seguro e certo que ela não deseja seu mal, embora não saiba que o possa estar ferindo com seu modo de falar ou de agir. Se isto acontecer, não pule sobre ela cheio de fúria, ofendendo-a e humilhando-a. Pelo contrário, haja com paciência, pois "a paciência vence". Explique a ela com carinho e palavras doces: "Minha querida esposa, você está me magoando com tuas palavras; por que deveríamos brigar, quando podemos acertar todas as nossas diferenças pacificamente? Por favor, me ajude!"

Adquirir paciência no casamento não leva um ou dois dias, uma ou duas semanas, pode levar anos!

Mas se o homem for paciente com sua mulher – "a paciência vence", e no final das contas ele conseguirá conquistar seu coração. O contrário também é certo: quando o marido é rude com a esposa, não lhe poupando críticas, gritando com ela etc., a mulher pode mudar radicalmente o comportamento dele se agir com paciência e souber tolerá-lo, mesmo sabendo que isto não lhe é fácil, pois não raro seu esposo pode ser violento, D-us não o permita, mas o divórcio não é solução, porque destrói a vida dos filhos.

O melhor é suportar, suportar e suportar tudo o que houver, porque no final, "a paciência vence".

A mulher não ligar para o que o esposo lhe faz, falando-lhe de modo carinhoso: "Meu querido, por que está me humilhando, gritando comigo deste jeito? Por que não conversamos com calma? Por favor, não me humilhe na frente das crianças ou da minha família".

Se a mulher for paciente e souber contornar o marido, no final, "a paciência vence", porque quando adquirimos esta virtude dentro da vida conjugal – tanto o marido quanto a mulher, os dois vencem seus desafios e se tornam tanto prósperos quanto felizes. Seu lar será exatamente como o de Adão e Eva antes do pecado e os dois se alegrarão com a constante Presença Divina que pairará sobre este lar, estando sempre diante de Hashem, que revive, reanima e provê todas as Suas criaturas. Os dois então perceberão quer tudo é Divino e que a Divindade é tudo, logrando reconhecer que, na verdade, quanto cada um de nós vive neste mundo? Setenta ou oitenta anos, como disse o rei David? Quantos já vivemos? Quanto ainda nos faltariam!? Por que, então, não fazer as pazes? Por que não viver o resto dos nossos dias com paz e tranqüilidade?

A este resultado só podemos chegar com muita paciência, pois "a paciência vence". Para isto é preciso agir com grande obstinação – tanto o marido quanto a mulher: os dois devem trabalhar seus espíritos para adquirir cada vez mais esta virtude e não devem, de modo algum, deixar-se levar pelos ânimos ou pelo estado nervoso, nem devem insultar-se e humilhar-se mutuamente; evitando assim todo e qualquer tipo de brigas.

Se os dois trilharem este caminho, seu lar será um verdadeiro paraíso e os dois jamais sentirão vontade ou necessidade de deixar seu lar, pois seu casamento tudo lhes proverá tudo o que precisam: tranqüilidade e paz de espírito, alegria de viver e vontade de cultivar cada vez mais o paraíso que com tanta paciência conseguiram criar. Tudo isto é possível de se conseguir, se soubermos fazer tudo com paciência, pois "a paciência vence"!

4.

Paciência com os filhos

Meus queridos! Não há nada melhor para vencer a inquietude e molecagens das crianças do que a paciência. Quando o pai e a mãe se munem de muita paciência com seus filhos, constatarão no final que "a paciência vence", conseguirão dominar os filhos. Do contrário, se os pais entram em pânico e viram uma pilha de nervos cada vez que seus filhos cometem uma molecagem ou ficam irrequietos, chegando a bater neles e perdendo as chances de sucesso em acalmá-los.

A situação pode até se inverter e os filhos passarem a dominar os pais, sem que consigam lidar com eles, de tanto que perderam a paciência.

Pois no momento em que o homem perde a paciência ele fracassa na vida, quanto mais com os próprios filhos, se perderem o controle e começarem a gritar e espancá-los. Se o fizerem, terão fracassado com seus filhos, queridos pai e mãe. O único conselho para ter sucesso com os filhos e colocá-los no caminho da boa conduta e munir-se desta grande virtude que é a paciência, tolerando com imensa paciência o comportamento dos filhos, porque "a paciência vence".

Não é necessário tomar tudo o que fazem as crianças como uma ofensa pessoal; se os pais não explicarem aos filhos amavelmente como eles devem se comportar e o que esperam deles, como sabe eles saberão!?

Mas se virem os pais se portando de modo educado e cordial, mostrando paciência e tolerância, isto os influenciará no sentido se formarem uma personalidade calma e tranqüila, pois crianças ensandecidas são de um modo geral o resultado de pais descontrolados.

Pais que agem e reagem de modo furioso, sempre irados e nervosos, influenciam negativamente as crianças, criando filhos medrosos e inquietos. A vida destas crianças se torna tão amarga, que eles passam a querer dominar os pais, levando-os a perder seguidamente o controle com seu comportamento peralta. Este ciclo torna-se interminável – as crianças deixam os pais nervosos e estes perdem o controle reagindo com fúria, gritando e ralhando com os filhos, não raro perdendo as estribeiras e levantando a mão contra eles. Os filhos entram em pânico e tornam-se cada vez mais impossíveis, provocando cada vez mais a ira dos pais sem que estes consigam apaziguá-los. Este ciclo vicioso torna o lar um inferno.

E como isto aconteceu? Porque, em primeiro lugar, os pais perderam a calma. Por conseguinte, se estes pais quiserem ter algum sucesso com filhos inquietos, precisam munir-se de interminável paciência, tornando-se cada vez mais tolerantes, pois só "a paciência vence".

É terminantemente proibido humilhar os filhos.

Eles devem ser tratados com muita paciência, nervos de ferro e coração brando – e só deste jeito os pais terão sucesso em educar os filhos no caminho da retidão, da conduta correta, da disciplina, do respeito aos pais e ao seu semelhante. Tudo depende da paciência, pois "a paciência vence". Se os pais decidirem adotar esta postura, com certeza criarão filhos saudáveis moral e emocionalmente, ganhando a estima, respeito e sossego de filhos como estes.

5.

Paciência com nosso semelhante

Meu querido, meu filho! Saiba que o mundo vive cheio de discórdia e conflitos, guerras que assolam nosso planeta, povos inteiros que tentam dizimar uns os outros por causa de mais um centímetro de terra.

Para derrotar os outros eles derramam cada vez mais sangue de gente inocente.

Para dar vazão aos seus impulsos assassinos são capazes de sacrificar a vida de gente tranqüila e inocente, gente que nada lhes fez para merecê-lo,  tudo isto porque estes homens se deixam acometer pelo desejo de sobrepujar os outros e por  acreditarem que só a força física vale.

É o grande equívoco das nações do mundo, que as faz guerrear umas contra as outras. Quanto sangue é derramado em vão, sangue de gente que nada fez para criar estes confrontos e que são jogadas na fogueira do ódio pelos instigadores das guerras. Este equívoco é tão velho quanto o mundo: as nações não param de provocar umas às outras e não pensam em outra coisa senão matar seus oponentes, levando os homens a tentar aniquilar-se mutuamente, somente para ter o gosto de uma vitória sobre outro povo.

Hoje um povo aparece e tenta aniquilar outro, humilhando-o e pilhando-o quanto seja possível. Amanhã, a nação humilhada joga a ira do seu fracasso sobre uma nação menor ou mais fraca, num ciclo interminável de matança e guerra. O mesmo se dá no microcosmo das relações humanas: hoje um homem briga com outro e o derrota. Amanhã, o derrotado busca  quem possa vencer numa briga e depois de amanhã o segundo derrotado busca um oponente que pensa poder derrotar, num ciclo interminável de discórdia e conflito.

Na verdade, ninguém pode se considerar vencedor numa condição destas, pois numa guerra não há vencedores. O verdadeiro vencedor é aquele que adquire paciência e age com tolerância, pois só "a paciência vence". O povo com nervos de ferro – este é o real vencedor; o mais rico e o mais potente.

O homem que domina suas reações, que confia em si mesmo, que não se deixa abalar por criatura nenhuma no mundo, mesmo que todos discordem dele e tentem provocá-lo, humilhá-lo e tirá-lo do sério e que alimenta constantemente a virtude da paciência dentro de si é o verdadeiro vencedor, pois "a paciência vence".

As pessoas pensam que podem derrotá-lo e que fazer dele o que quiserem, mas ele sempre se levanta e eleva seu espírito. As pessoas se espantam com a capacidade de reabilitação deste homem.

Como ele faz isto? Os que o cercam ficam assombrados.

Como isto é possível? Ficam  curiosos para saber de onde vem sua força. Como pode um homem, depois de tudo o que lhe fizeram, depois de o terem provocado e humilhado, incitado à briga e à discórdia, manter-se sereno e levantar-se esguio, ter tanto sucesso em vencer seus revezes? Qual é o segredo deste sucesso? A resposta: porque ele é paciente. Pois só "a paciência vence". O mais paciente é o maior vencedor.

Por isto, meu querido, meu filho, comece desde já a fazer tudo o que for necessário para adquirir de modo constante e evolutivo, esta virtude maravilhosa e tão eficaz que é a paciência, tolerando tudo o que te acontece e o que te fazem as pessoas, não se deixando abater pelo que elas dizem ou atentam contra você – e esta é a parte mais difícil do trabalho interno de cada um de nós; não obstante, quando o homem consegue dominar seus sentimentos e agir com paciência – ele vence na vida.

É simplesmente impossível lidar com nossos problemas cotidianos sem adquirir paciência e desenvolver muita tolerância. Em outras palavras, não é necessário responder na hora a todo e qualquer movimento que outra pessoa faz e a tudo o que nos dizem ou que pensamos estarem tramando contra nós.

Se alguém nos ofende ou humilha, não é reagindo com raiva que resolveremos esta situação, pelo contrário, "a paciência vence". Feliz do homem que desenvolve a virtude da paciência dentro de si, pois ele passará por esta vida em paz e logrará apegar-se ao Altíssimo ainda neste mundo sempre galgando os degraus da escada que conduz à verdadeira paz. Pois não se consegue paz a não ser por meio da paciência.

Quem tem mais paciência é o maior vencedor, porque "a paciência vence".

Bem aventurado o homem que adquire a virtude da paciência; feliz será neste mundo e no Mundo Vindouro, todo aquele que se fortalece neste precioso traço de caráter que é a paciência.

Louvado seja o Eterno, Criador do Universo!

Conselhos valiosos para adquirir a preciosa virtude da paciência.

1.

Quando o homem descobre e se conscientiza que tudo o que lhe ocorre é para o bem, sua mente e seu coração sentem-se como se ele já estivesse no Mundo Vindouro (Likutê Moharan 1:4); pois a partir do momento em que o homem aceita de bom grado e com alegria no espírito tudo o que lhe ocorre neste mundo, e sabe que todos os incidentes não são senão obra da Providência Divina e que tudo o que lhe vêm à mão, as pessoas que lhe cruzam o caminho, o que lhe dizem e o que lhe fazem faz parte da contabilidade do Eterno, e que tudo é certo e justo, e na medida certa, a luz do Mundo Vindouro se lhe ilumina a vida e faz resplandecer o brilho do Altíssimo, Rei do Universo, bendito seja, renovando e purificando-lhe o espírito, ao mesmo tempo em que lhe dá novas forças para suportar tudo o mais que ainda lhe acontecerá. Nada neste mundo pode dobrar quem sabe ser o Eterno a única fonte de todos os acontecimentos.

2.

A paciência, virtude baseada na capacidade de relevar as coisas, de esperar antes de reagir e de controlar o espírito, depende única e exclusivamente da Emuná, a fé em D-us e convicção na Sua Providência (Likutê Moharan, 1:152).

Quando o homem desenvolve dentro de si uma fé clara e límpida, ele sabe que nenhum acontecimento, pequeno ou grande, foge da Providência Divina. Esta consciência é o dínamo de suas forças para lidar com estes acontecimentos, que cresce e se fortalece junto com sua convicção de que tudo o que lhe ocorre foi planejado por D-us. Tempestade alguma é capaz de arrastar ou derrubar quem tem fé e  confia nos desígnios do Altíssimo, pelo contrário, esta pessoa torna-se cada vez mais confiante, aceitando com alegria tudo o que D-us lhe dá e faz.

A Emuná faz a pessoa crescer e se desenvolver em todos os seus trajetos, alcançando sucesso no trabalho espiritual; nada pode deter ou bloquear o caminho desta pessoa, nada pode confundi-la, enervá-la ou deprimi-la. Pois a Emuná, a fé, construiu dentro do seu coração e de sua mente, alicerces fortes com os quais ela pode enfrentar qualquer situação:  paciência e tolerância – suportando tudo o que lhe venha a ocorrer, começando sempre uma nova etapa, rezando com fervor e vida, cumprindo Mitsvót com enorme alegria e visitando um Tsadik com entusiasmo renovado.

Por outro lado, quem não tem Emuná, vive nervoso e magoado, xingando e praguejando sem limites, deixando-se levar pelas intempéries do cotidiano, afetando sua saúde e apodrecendo por dentro. A tristeza e a depressão são donas do espírito de quem não tem paciência e age impulsivamente. Feliz de quem alcança e persistir na virtude da paciência, por meio da fé simples e pura no Altíssimo, bendito seja.

3.

A ira é responsável pela perda da Parnassá (sustento) e Shéfa (abundância) que os Céus reservam ao homem (Likutê Moharan, 1:68). A raiz da alma de cada judeu provém de uma fonte celestial muito elevada, por isto, é pertinente que todos os filhos de Israel vivam com abundância financeira. Contudo, alguma coisa faz com que esta abundância não jorre para algumas pessoas. Esta "coisa" é um traço negativo e reprovável de caráter, difícil de ser vencido e que mesmo quem se dispõe a derrotá-lo para ter sucesso nos negócios, não consegue livrar-se facilmente desta barreira entre si e o êxito nas coisas materiais, barreira esta que lhe estanca o sucesso desde a juventude e que não lhe deixa aproveitar tudo o que lhe foi reservado desde o momento do seu nascimento – a raiva.

A raiva faz a pessoa perder o ânimo e mina-lhe a paciência. É a raiz do fracasso no trabalho e nos negócios e faz a pessoa perder todo o benefício material que lhe está destinado. Por isto, se você quer receber abundância material e financeira, acostume-se a ser paciente; não saia brigando e fustigando a tudo e todos que te cruzam o caminho. Dê um tempo. Acalme-se. Espere um pouco. Seja paciente. Sabe qual é o segredo? Procure a solução junto a D-us. Esconda-se sob Sua Providência. Desenhe na mente esta idéia: no Universo, não existe nada senão Hashem e nada acontece senão pela Sua vontade. Anule-se diante do Eterno, bendito seja e veja como tudo o que Ele tem para te dar começa a te envolver. Experimente toda a abundância que te está reservada se somente te deixares envolver pela confiança no Altíssimo, bendito seja e pela Sua Providência. Isto se faz mantendo a calma, desenvolvendo a virtude da paciência e suportando com alegria tudo o que nos acontece. Isto fará a abundância descer a ti direto dos Céus.

4.

O fortalecimento do espírito humano se alcança somente pelo desenvolvimento da paciência. Quem adquire paciência, adquire força mental suficiente para agüentar os males e reveses que lhe acometem a vida; para suportar os fracassos e passar pelos difíceis e amargos testes a que são submetidos todos os filhos de Israel durante sua passagem por este mundo. São tantos que não fazemos idéia de sua extensão. Pois não há criatura neste mundo que não ainda passou por alguma dificuldade ou crise séria. E quanto mais inteligente a pessoa, maior a sua crise, como está escrito: "Incrementa teu conhecimento e aumenta teu sofrimento" (Provérbios 1). Todo judeu passar necessariamente por todo o tipo de agrura, até os mais justos entre nós (Likutê Moharan  2:77). Pois quanto maior o discernimento, maior o nível das preocupações e das crises.

O método mais seguro e aplicável para ultrapassar todas as crises do cotidiano com paz de espírito é o exercício da paciência – suportando tudo o que nos acontece com ternura e felicidade, ao mesmo tempo em que inculcamos em nossa mente a virtude da paciência, como mola mestra do nosso comportamento em todas as situações. A paciência adoça nossos problemas, assim como o nosso sofrimento e amargura. Isto se consegue quando as pessoas se acostumam a comer com delicadeza e educação, alimentos permitidos e puros, sem quaisquer dúvida no tocante à Cashrut, seja do abate das carnes e sua procedência, seja das proibições mais leves.

O que a comida Casher faz dentro do nosso corpo é purificar o sangue. Isto contribui em muito para constituir um sistema nervoso tranqüilo e torna a pessoa capaz de chegar facilmente ao estado de paciência plena, que fortalece o homem na sua luta contra os problemas cotidianos e o preparam para enfrentar todo o tipo de agrura.

Por conseguinte, feliz de quem adquire a preciosa virtude da paciência,  pois dela dependem todas as forças mentais, emocionais e espirituais do homem. Quem desenvolve a paciência, passa pelo mundo envolto num manto de paz e serenidade, vivendo feliz durante todos os seus dias.

Não há virtude mais necessária ao homem que a força interior para enfrentar o cotidiano; pois não existe pessoa que não seja acometida por toda a sorte de problemas e crises, D-us não o permita. Esta virtude, que fortalece e enrijece o espírito humano é a paciência; bem aventurado quem a adquire, pois passará por este mundo feliz e tranqüilo, sempre encorajando a si mesmo e aos demais. A vida lhe sorrirá ainda neste mundo e também no Mundo Vindouro, para todo o sempre.

Traduzido e editado graças ao apoio de Roberto Dayan, N"I

 

Rabi Nachman de Breslav recomendou lermos dez capítulos especiais de Tehilim, o "Tikún Hakelali", ou remédio universal, que segundo o rebe é capaz de todo o tipo de cura, espiritual e material, assim como a retificação de todo o tipo de pecado, em especiais os ligados ao Brit-milá.

São eles os capítulos 17,32, 41,42, 59, 77, 90, 105, 137 e 150.

Após a recitação destes capítulos é recomendável doar alguma quantia para Tsedacá (exceto Shabat e Festas).

 

Rabi Nachman prometeu fazer um favor eterno a quem visitar seu jazigo na cidade de Uman, na Ucrânia e lá recitar os capítulos acima. O jazigo é conhecido como "Hatsiún Hakadosh shel Rabeinu" e pode ser visitado durante todo o ano, embora os Chassidim de Breslav prefiram visitá-lo em Rosh Hashaná.

LAST_UPDATED2
 

Banners

Banner


Guper, website, sistemas web e mídias sociais