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A origem controversa do J.C. PDF Imprimir E-mail
Escrito por Paulinho Rosenbaum   
Qui, 30 de Abril de 2020 11:35
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GOTA DIÁRIA CONTRA A IDOLATRIA

 

O relato do nascimento de JC é um pouco (na verdade, muito) confuso. No livro de Mateus, a família de JC já está em Belém onde ele nasce (Mateus 2:1). De lá, ele foge de Herodes para o Egito, e, no seu retorno à Terra de Israel, ele vai para Nazaré.
Aí vem a melhor parte: Aqui, de acordo com o autor do livr

o de Mateus, JC teria ido para Nazaré para cumprir uma profecia de que o Messias seria chamado de “nazareno”, conforme Mateus 2:22-23.
Por que essa é a melhor parte? Simplesmente, porque essa profecia não existe em lugar algum das Escrituras Hebraicas. Isso mesmo, eles inventaram essa profecia!
Aliás, Nazaré não existia na época dos profetas e nunca foi mencionada na Bíblia. Pastores e teólogos cristãos não encontraram, até hoje, uma explicação, no mínimo razoável, para esse problema.

Já o livro de Lucas tem outra versão: De acordo com esse autor, a família de JC é de Nazaré, na Galiléia (Lucas 1:26). Teria sido de lá que eles foram para Belém, para que o menino pudesse nascer no local previsto pela profecia. Depois que ele nasce, eles vão para Jerusalém, agradecer o nascimento do filho. De Jerusalém, eles voltam para a casa em Nazaré (Lucas 2:39).
Espera ai! E o Egito? Eles não teriam ido para o Egito, fugindo de Herodes? De acordo com Lucas, não!
E a profecia sobre Nazaré? Por que Lucas não falou nada sobre isso? Talvez, porque ele soubesse que tal profecia não existia!

Apesar de Mateus já começar com a família de JC em Belém, Lucas tem outros planos. Veja como, de acordo com Lucas, JC foi parar em Belém:
Segundo Lucas 2:1-4, o imperador romano fez um censo de todo o império. O propósito do censo seria saber informações sobre a população de cada cidade sob controle do império. Mas Lucas foge dessa lógica e alega que todos voltavam para a cidade natal de onde vinha sua própria linhagem.
Se seguirmos o exemplo de José, ele foi para Belém por ser descendente de David. Ou seja, ele voltou em mais de mil anos sua genealogia para localizar sua cidade natal.

Imagine a confusão supostamente gerada por tal recenseamento: Pessoas viajando de um lado para outro, para se alistar na cidade onde seus antepassados, há mais de mil anos, nasceram. Agora, algo pior, imagine o resultado desse suposto censo: Que benefício traria para o imperador obter tal informação?

O que fica claro dessa história é que a família de JC era de Nazaré. Mas o autor dessa história não queria que Jesus nascesse lá e sim em Belém. Mas esse interesse não existe nos autores dos livros de Marcos e João.

Aliás, Paulo também não se preocupa com isso.
Mas por que Mateus e Lucas fizeram questão de colocar o nascimento de Jesus em Belém?
Mateus responde com a alegação de que Belém é o local do nascimento do Messias, anunciado pelo profeta Miquéias, conforme Mateus 2:5-6.

De acordo com a interpretação do NT, o Messias teria de nascer na cidade de Belém. Portanto, JC, por supostamente nascer lá, teria isso como sinal que comprovaria sua legitimidade como Messias. Ou seja, se isso realmente fosse uma profecia messiânica, ela só poderia funcionar se as pessoas pudessem identificar que ele, realmente, nascera lá. Se todo mundo soubesse disso, ficaria evidente que essa profecia se cumpriu.

Por tudo isso, ele ficou conhecido naquela época como Jesus de Belém, não é verdade?
Espera aí! Ele não ficou conhecido assim, e sim como “Jesus de Nazaré”. Mas será que o NT não indicaria que as pessoas sabiam desse requisito messiânico?
Vamos examinar? Verifiquemos o que diz o NT em Mateus 21:11; Mateus 26:71; João 1:45-46 e, principalmente, João 7:40-43.
Porque havia dissensão entre o povo? De acordo com o livro de João, alguns entendiam que o Messias tinha de vir de Belém, enquanto outros não.
Mas qual seria a causa da discussão, já que, se JC tivesse nascido em Belém, isso não seria problema para os que não entendiam a profecia do nascimento do Messias em Belém como algo obrigatório?
Ou seja, se alguém não interpreta a profecia de Miquéias como um requisito, que mal tem se ele nasceu em Belém?
Na verdade, quem teve problema com isso foram aqueles que acreditavam que o Messias deveria nascer em Belém! De acordo com essas pessoas, não havia evidência qualquer de que JC teria cumprido essa profecia. Pelo contrário, JC era conhecido como natural de Nazaré, e não de Belém! Por isso discordaram dos que possuíam outras opiniões.

Acima foram citados apenas alguns de muitos versos que mostram que Jesus era conhecido como natural de Nazaré, e não de Belém. Aliás, em todos os momentos do NT, o nome de JC é ligado a um local que não é Belém; mas Nazaré.

Se Miqueias, de fato, fez uma profecia messiânica que teria sido cumprida por JC, por que, então, isso não ficou evidente? Afinal de contas, como já discutimos antes, um sinal é uma marca identificadora, e o sinal que ele apresentou não foi esse.

É interessante observar que, quando se pede a JC um sinal (tanto por João Batista quanto pelos Fariseus), ele apresenta milagres. Por que não apresentou uma certidão de nascimento, provando que nasceu de uma virgem, em Belém e que era descendente de David? Se esses são "sinais" deveriam ter a possibilidade de serem apresentados.

Então, se a profecia de Miquéias não era sobre o nascimento do Messias em Belém, o que ela quer nos dizer então? Vamos começar comparando a versão de Mateus com a oficial do profeta Miquéias:

"E tu, Belém, terra de Judá, De modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo Israel." (Mateus 2:5-6)

Note a diferença do texto na Bíblia Hebraica:

"E tu, Belém-Efrata, embora deveria ser a menor entre os clãs de Judá, de ti sairá para Mim para ser um governante sobre Israel e sua origem está no passado distante, em tempos antigos.” (Miquéias 5:2)

Com uma simples leitura dos dois versos, podemos ver que o autor do livro de Mateus alterou alguns detalhes da profecia. Lendo a versão original de Miquéias, vemos que ele diz que Belém deveria ser a menor entre os clãs de Judá.
A quem esse texto se refere? Ao rei David! Como é sabido, foi lá que ele nasceu. Conforme conta sua história, quando o profeta Samuel foi a Belém ungi-lo como o novo rei, a família de David nem sequer o chamou (I Samuel 16). A família de David era conhecida como a menor entre os clãs de Judá, por David ser descendente de Rute, a moabita. (Rute 4:13-22). De acordo com a Torá (Deuteronômio 23:3), nenhum moabita poderia ser aceito como convertido em Israel. Mas nossos sábios, na época, interpretaram que isso se aplicava somente aos homens moabitas, e não às mulheres. Portanto, a conversão de Rut seria válida! Isso causou grande discussão entre os Judeus e, somente com a unção de David, pelo profeta Samuel, que essa discussão se encerrou. Assim, ficou claro para todos que a interpretação dos sábios estava correta e que, portanto, havia validade na conversão de Rut.

Portanto o profeta Miquéias nos diz, que, da descendência daquele que saiu de Belém, sairia também o futuro Messias. Por isso que o verso conclui dizendo "sua origem (do Messias) está no passado distante, em tempos antigos (dias do Rei David). A origem do Messias vinha de tempos antigos, ou seja, quando o rei David nasceu em Belém. Daquela época, já se originava o Messias de Israel.

Por isso que Mateus cortou o final do verso, pois não queria associar a origem de JC com os dias antigos, e sim com o divino. É por isso, também, que muitas traduções cristãs escrevem o final de Miquéias como: "desde os dias da eternidade" (Miquéias 5:2 versão Almeida Revisada).

Fica claro, portanto, que a profecia não exige que o nascimento do Messias seja em Belém. Ela simplesmente remonta sua conexão com o passado e sua origem no rei David.

"E Saul lhe perguntou: De quem você é filho, meu jovem? Respondeu Davi: Sou filho de teu servo Jessé, de Belém". (1 Samuel 17:58)

Que o verdadeiro Messias venha logo, em nossos dias!

Extraído e adaptado de:
O Guia mais completo contra o trabalho missionário - AJA

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