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TROPICATCHÊ, Torá com Gostinho de Chimarrão. PDF Imprimir E-mail
Escrito por Paulinho Rosenbaum   
Dom, 21 de Junho de 2009 00:40
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O ANALISTA DE BASHERT

Bashert é um termo em Idish que significa "destinado", muito usado para identificar episódios que parecem coincidência, mas que são pura Providência Divina.  O uso mais comum da palavra Bashert é mesmo no caso de um Shiduch (plural: Shiduchim).

Shiduch é a palavra hebraica usada para designar uma "apresentação com fins matrimoniais".

Acreditamos que temos de fazer uma forcinha aqui embaixo para aproximar o nosso Bashert, a alma gêmea que Hashem (D-us) designou para a gente antes de nascermos...

 

O Talmud diz que o homem e a mulher são uma só alma antes dos dois virem para a terra e que aqui ficam se procurando até encontrar, mas que tem o livre arbítrio de se juntarem ou não. Por isso é que a gente gosta de procurar nossa alma gêmea dentre outros judeus e faz questão de se casar debaixo da Chupá (pálio nupcial que representa o um lar recém criado e abençoado por Hashem).

Mas nem sempre é fácil encontrar nosso Bashert.

Não raro, uma pessoa encara dezenas de "Shiduchim" até embicar na pessoa certa.

Para uns esse processo leva dias, para outros anos. Mas vale a pena seguir tentando.

O desgaste numa situação dessas é estressante. Se você não tiver um jogo de cintura enorme e um senso de humor três-patetiano, pode acabar desistindo de se casar com seu par judeu.

Mas nem tudo está perdido: Rabi Nachman de Breslav disse que jamais devemos perder as esperanças de tudo dar certo para a gente, principalmente neste terreno. Porque D-us quer.

Para facilitar mais ainda as coisas, lá na sua clínica decorada em tons Bege-Kotel, o maior especialista do mundo em curar ressaca pós-Shiduch, se prepara para mais uma sessão:

- O Analista de Bashert vai recebê-lo logo mais, preencha esta ficha por favor.

- Obrigado Léa Dvóra, já estou deletando do meu lap-top todos os telefones e e-mails das últimas meidales com quem saí nestes últimos quinze anos.

- Sugiro ter mais paciência, não faça nada precipitado! Vamos, relaxe. Quer tomar um chimarrão de Borsht acompanhado de uns Kichales enquanto espera?

***

Lea Dvora era a secretária do Analista de Bashert. Ele aguentava ela no emprego porque foi o seu primeiro Shiduch (que emperrou) e o primeiro Shiduch a gente nunca esquece.

- Entra, Ingale!!! - chamou o Analista com seu sotaque polish. Tira sapates e deita na divã. Yeshte está forado com pele de carneiro comprado na Shuk e que gventa qualquer chulé!

- Muito obrigado, estou mesmo precisando de um apoio moral.

- Nu, que houve? A meidale marcou de sair contigo e quando tu chegou ela disse que ia pra Gvarujá naquele hora e que era para você ligar de novo em Outubro?

- Pior.

- Ela te convidou para Pessach na amiga e quando tu chegou lá, tinha um bilhete dizendo que foram para Miami e que ficando sózinho tu ias poder entender melhor tua natureza íntima?

- Pior.

- Mas Ingale, isso só é pior que beigale dormido, tchê!!

 

 

O Analista seguia a teoria do beigale dormido, descoberta no dia que esqueceu um beigale na gaveta por duas semanas. Na primeira dentada viu tudo tão turvo que não conseguia diferenciar entre a Lea Dvora e o filho do rabino que entrava naquele mesmo momento para lhe presentear com o Calendário Judaico daquele ano. Decidiu que ia dar um beigale daqueles para quem tivesse qualquer trauma de Shiduch incurável.

- Então... a meidale marcou um encontro contigo e saiu com teu melhor amigo?

- Pior, quando liguei dizendo que ia buscá-la, ela me disse para ligar noutro dia porque ia assistir a uma palestra do Tropicasher.

- E o que tem isso de mais, Ingale? Tu devia era ir na palestra também!

- O que tem isso demais?! Quem vai dar a palestra sou eu! Que frustra tchê, fui desbancado por mim mesmo!

- Então qual é o trauma? É só tu ir na palestra e encarar a meidale durante todo o tempo.

- É que perdi a vontade de dar a palestra, por isso vim aqui.

O Analista jamais deixaria que o público perdesse uma palestra de Judaísmo por causa de um Shiduch malogrado, mas ficou com pena de dar o beigale dormido a este paciente porque aí é que a palestra ia mesmo pro beleléu. De repente, lhe veio uma luz:

- Léa Dvóra !!!

- É só dizer, tchê...

- O que tu vais fazer hoje à noite, guria?

- Ia numa palestra, tchê, mas se tiver um Shiduch para mim eu prefiro, né!

- Então tira os bobe da cabeça e pinta as unha porque hoje tu vai numa palestra e num Shiduch ao mesmo tempo, com um tal de Tropicatchê!

*

Rabi Nachman de Breslav disse que cada vez que uma pessoa sai com a outra para fins matrimoniais, ela está mais perto de encontrar o seu verdadeiro Bashert.

Hashem nos dá oportunidades a toda hora.

O resto só depende de nós.

Desistir para pegar o que está mais fácil é minar as chances de uma felicidade verdadeira.

É como dar as costas ao Minuano e deixá-lo arrancar nossas raízes e nos arrastar História afora

 

Fica aqui a nossa homenagem ao grande amigo de Israel Érico Veríssimo, pai de Luís Fernando, autor do Analista de Bagé quem inspirou nossa estorinha de hoje..

 

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