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Os Kázares. O que teriam de comum o Brasil tropical e a Rússia nórdica? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Paulinho Rosenbaum   
Sex, 05 de Agosto de 2011 00:57
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Os Kázares. O que teriam de comum o Brasil tropical e a Rússia nórdica?

Praticamente nada. Nem mesmo a cachaça e a vodka são feitos do mesmo material. E são degustadas por motivos inversos: o frio daqui e o calor de lá.*

Nosso futebol é diferente do russo e suco de maracujá não tem o mesmo gosto que o borsht.

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Contudo, ambos, Brasil e Rússia, tem um ínicio comum: o Brasil foi colonizado por muitos judeus foragidos da inquisição portuguesa, além dos judeus holandeses que desembarcaram em Pernambuco no século 17, ao passo que a Rússia nasce junto ao declínio do Império dos Reis Kázares, uma dinastia que começa com um rei e sua corte, que se convertem ao judaísmo no século 10, ou segundo alguns, no século 8 da Era comum. Para muitos, isto explica a tez eslava de alguns judeus askenazitas. A obra máxima da literatura hebraica que trata do assunto é o livro "O Cuzarí", do rabino Iehudá Halevi. Apresentamos aqui outra versão, histórico-acadêmica, mas também fascinante:

Durante a Idade Média, um povo estabelecido na região da atual Rússia e Ucrânia decidiu adotar o judaísmo. Os khazares e sua conversão espontânea incendiou a imaginação de gerações de escritores judeus, incluindo o célebre poeta sefaradi Yehuda Halevi, que escreveu o clássico Livro do Kuzari. Nos EUA, o historiador Kevin Alan Brook pesquisa há anos o assunto e , para comemorar o lançamento da segunda edição do seu livro The jews of Khazaria (Os judeus de Kazaria), concedeu entrevista exclusiva à revista Hebraica. Brook vasculhou tudo o que já foi escrito a respeito dos khazares, assunto que envolve muita lenda e pouca informação confiável. Leu documentos em inglês, espanhol e francês e contratou um tradutor para examinar fontes em russo. "Quando comecei a pesquisar, não havia informação na Internet nem livros à venda acerca dos khazares, então decidi eu mesmo fazer estas coisas", diz.


Hebraica- A história dos khazares parece estar encoberta por uma névoa intransponível, com pouca informação confiável a respeito da conversão desse povo ao judaísmo. Como separar mito de fato histórico?

Kevin Alan Brook- Realmente as fontes históricas são muitas vezes incompletas, contraditórias ou preconceituosas. Relatos de viajantes trazem muitas mentiras e falsos rumores. Um deles, por exemplo, disse que os khazares matavam seus reis após alguns anos, mas isto foi um costume naquela região séculos antes da conversão ao judaísmo. Há também relatos que parecem questionáveis, mas que não podemos refutar totalmente. O mesmo viajante escreveu que o rei khazar tinha um harém com 25 esposas e sessenta concubinas. Mas sabemos que Yosef, o último rei khazar que conhecemos, teve apenas uma mulher. A arqueologia muitas vezes é a melhor maneira de conhecermos os khazares. Um professor norte-americano mostrou através de achados que esse povo produzia diferentes mercadorias e exportava para outros países.


Por que, afinal de contas, o povo khazar converteu-se ao judaísmo?

Brook- Muitos historiadores acreditam que a razão foi puramente política, isto é, os khazares queriam preservar sua independência tanto dos vizinhos cristãos quanto dos muçulmanos. Discordo e me baseio no fato de nenhum documento medieval fornece esta razão. Para mim, está claro que a presença de judeus naquela região foi o principal fator que levou à conversão. Os khazares abrigaram judeus desde o início da sua existência. Documentos também falam de esforços entusiásticos de judeus para converter os khazares. Um outro povo vizinho, os alanos, também se converteu ao judaísmo e manteve relações culturais e econômicas bastante próximas com os khazares.


Devemos imaginar os khazares como judeus típicos ou eles eram superficiais em sua prática judaica?

Brook- Ao que tudo indica, os khazares convertidos seguiam uma forma tradicional de judaísmo, mas a informação é escassa. Sabemos que eles comemoravam as festas judaicas principais, como Pessach e Chanuká, liam a Torá no original hebraico, praticavam circuncisão e seguiam as leis judaicas. Mas não foram encontradas ruínas de sinagogas, comentários de khazares sobre textos judaicos e nenhuma menorá ou mezuzá. Sabemos que os reis khazares levavam o judaísmo a sério. Eles cunharam moedas com mensagens pró-judaicas, em que afirmaram que Moisés, e não Maomé, foi o verdadeiro profeta.



Muitos historiadores acham que somente a elite do povo khazar se converteu ao judaísmo, mas você discorda.

Brook- Realmente alguns cronistas medievais escreveram que somente a elite khazar se converteu e que o número de judeus era comparativamente pequeno. Por outro lado, outros cronistas disseram que um grande número da população se converteu. Estas posições contraditórias são difíceis de conciliar, mas temos de lembrar que os khazares eram apenas um, entre muitos grupos étnicos daquele reino. Os khazares eram a tribo de elite, que governava as restantes. As outras tribos, geralmente, não faziam parte d governo ou da nobreza, eram búlgaros, alanos, kalizes, escandinavos, eslavos, burtasianos e godos. Esses grupos tinham suas próprias tradições religiosas, sem se inclinar para o judaísmo. É verdadeiro dizer que a maior parte dos plebeus na khazaria não era de judeus, mas devemos entender que eles não eram khazares também. As fontes dizem que muitos, ou a maioria, dos identificados como khazares seguiam o judaísmo com sinceridade e devoção. O folclore russo recorda a khazaria como "o país dos judeus".


Em seu livro do Kuzari o poeta Yehuda Halevi descreve um célebre debate entre um filósofo, um muçulmano, um cristão e um judeu com o rei dos khazares, antes que ele se decidisse pelo judaísmo. Este debate realmente aconteceu ou é uma lenda?

Brook- É difícil saber, mas provavelmente não aconteceu como descrito por Halevi. No entanto, este debate é mencionado por cinco fontes independentes, então talvez haja algum fundo de verdade. Sabemos que um rei khazar debateu assuntos religiosos com São Ciril no ano 861, mas isto foi após a conversão dos khazares ao judaísmo.



É possível que os judeus do Brasil, descendentes de russos e ucranianos, tenham sangue khazar em suas veias?

Brook- Os cientistas afirmam que material genético encontrado em judeus ashkenazim pode ter sido herdado de ancestrais khazares. Outro dado interessante é que a primeira língua falada pelos judeus da Rússia e Ucrânia era o eslavo oriental, provavelmente uma herança dos khazares. Foi somente mais tarde que estes judeus adotaram o ídiche.



Judeus perseguidos durante a Idade Média buscaram refúgio no reino dos khazares?

Brook- Sim, especialmente os judeus do Império Bizantino, perseguidos pelos imperadores cristãos. Os khazares também permitiram a entrada de grupos dissidentes cristãos e outros grupos religiosos e étnicos. Eles eram umas das nações mais tolerantes daquela época.



Os judeus quase sempre foram contra a idéia de converter outros povos, mas parece existir um certo orgulho acerca da conversão dos khazares. Como você explica esta contradição?

Brook- Alguns judeus acham que a conversão dos khazares reforça a causa judaica, servindo de exemplo para outros interessados em adotar o judaísmo. Os khazares também são uma fonte de orgulho devido à possibilidade de serem um dos ancestrais dos judeus ashkenazim. Se realemnte fazem parte da herança judaica, significa que se deve conhecer esta história e incorporá-la como parte da nossa identidade.

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* inverti de propósito que é para ver quem está lendo mesmo o artigo.

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