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A volta ao mundo em 80 Shiduchim - capítulo 15: VÁ EM FRENTE ATÉ O ORIENTE
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| A volta ao mundo em 80 Shiduchim - capítulo 15: VÁ EM FRENTE ATÉ O ORIENTE |
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| Escrito por Pessach (Paulinho) Rosenbaum |
| Sáb, 25 de Outubro de 2008 00:00 |
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Texto: Pessach Rosenbaum. Desenho: Mitchel Shore. Shidúch: encontros ao estilo judaico com finalidades nupciais. A figura do casamenteiro (a) começa na Torá, quando Eliezer, braço direito de Abrahão, sai em busca de uma esposa para Isaque. Shiduch (no hebraico שידוך , pl. shid[d]uchim שידוכים) dentro do judaísmo significa promover um "encontro" entre um homem e uma mulher, de modo que venham a se casar. [definição do googale] ----------------------------------- Condado de Singlesfield, Marryland - Outono de 1897 A fidalguia Britidish da época comentava à larga boca que os membros do Hering Hunters Club ficavam longe de casa além da hora do Fog. Achavam estranho eles saírem sem seus umbrellas em dias de tempestade, alegando estar suficientemente protegidos pelas capuchas que servem nas sinagogas, alibi fajuto para perpetuar as bizarras práticas esportivas do "Member Club" judaico mais exclusivo da Groice Bretanha, fundado por Rabbi Shabescandles. CAPÍTULO 1 - A TENTATIVA DE EXPULSÃO DE PINCHAS FOGGELMAN. - Sir Pinchas, lamento dizer, mas creio que esta será a sua ultima reunião como solteiro. - Como assim, Paspatorah? - Os Lordes apostaram 3 milhões de mixilingues que o senhor não conseguirá passar por oitenta shiduchim sem se casar. Se o fizer, ganhará o dinheiro mas não poderá mais pertencer ao clube. - Prefiro perder os 3 milhões a perder esta magnânima vida de completa independência espiritual. - É o que veremos Foggelman! Lord Vursht acaba de ser escolhido Presidente do 'Club' e impôs a sua imediata expulsão a menos que contraia núpcias, pois nenhum de nós consegue encontrar mais nenhum alibi para se esconder da mulher em dias de chuva ou fog. Arís, urgente! Estas palavras haviam sido proferidas pelo digníssimo Sir Chalehbread, rico fazendeiro, que ficou famoso em toda a Inglaterra com suas deliciosas Chalot e acabara de ser sagrado Lord graças ao inigualável pão que lhe conferiu a alcunha de Pão de Lord. Chalehbread havia segurado a barra de Pinchas Foggelman enquanto durou seu mandato como presidente do Hering Hunters Club, mas agora via o status especial do colega de "Hering Hunting" ameaçado, por um casado inveterado e convicto.
Hering Hunting era o esporte preferido da fidalguidish de Singlesfiled. Consistia em jogar barris previamente defumados no lago de Shtinkinstead e buscá-los na outra margem recheados de herings. Os herings tentavam escapar por baixo da ponte de Guefiltenships mas eram abatidos com pesados golpes de gartel amarrados em nó duplo nas extremidades. Ganhava a competição que conseguia mais herings no barril com o menor numero de garleladas. - Foggelman!!! - Borbulhava Lord Vursht diante de todos, com aquele cinismo britidish que lhe era peculiar. O Conselho do Hering Hunters Club acaba de anunciar que você deve dar uma volta ao mundo onde passará por oitenta shiduchim. Se sobreviver ganhará 3 milhões de mixilings, mas terá que abandonar o nosso Club forever e para sempre. Se casar poderá permanecer no Club e terá as despesas do casamento financiadas pelo "Calah Introductory Sacred Company Organized", o famoso C.I.S.C.O (Companhia Idish Sagrada Casando Órfãos), criada por um menino rico do East Side que desejava ver todos os órfãos bem casados. Por este motivo o Fundo também ficou conhecido como CISCO KID. CAPÍTULO 2 - SAÍDA PELOS FUNDOS Paspatorah tinha este nome porque acreditava que sempre que o homem quiser saber o que fazer com o seu destino e qual o melhor conselho a seguir... passe para a Torah! Daí ficou conhecido como Paspatorah. Sua lealdade a Pinchas Foggelman era irrepreensível. Por isso não era de se espantar que fizera as malas antes mesmo dele aceitar a aposta com o Hering Hunters Club. - Reb Pinchas, suas malas, as passagens e cartas de crédito já estão prontos para partirmos. Eis o seu Kit-Shiduch, que deverá empregar toda vez que for apresentado com fins matrimoniais:
- Eis o endereço do seu primeiro Shiduch: Mrs. Meidaleine Mitakleinguelt, de Rochester Island. Saíremos assim que o fog baixar e que as esposas dos membros do Club pararem de gritar, "- Bekarov Etslechá!!!". - Vamos dar logo no pé, Paspatorah, a mulher do dono da merceraria kosher vem correndo na minha direção com aquele sorriso sarcárstico de "te peguei!" e a foto de uma belezura, que parece uma experiência genética feita num zoológico espacial sem a presença de gravidade. Vamos, sebo nas canelas! ![]() "Chamsa" contra mau olhado
O PRIMEIRO SHIDUCH A GENTE NUNCA ESQUECE...} - Paspatorah, já estamos quase alcançando o cais, continue correndo. Diga-me, esta "Miss Tscholent" que vem gingando em nossa direção atrás da shadchanit já pode ser considerada como o primeiro shiduch da lista? - Sim, sr. Foggelman. Toda e qualquer apresentação com vistas a casar o senhor já é considerada um shiduch. Faltam 79 portanto. Rabi Nachman de Breslav vai ainda mais longe: basta apenas comentar com um rapaz sobre a possibilidade dele sair com determinada moça para isto já ser considerado um shiduch, que se melar, aproximará ambos de seu par verdadeiro, conforme ensinam os nossos sábios. - Excelente, Paspatorah, se continuar neste ritmo, estaremos de volta ao Hering Hunters Club em menos de uma semana. Veja, o navio para o País de Gales vai zarpar... pule com força Paspa!! Assim, Pinchas Foggelman e seu fiel assistente Paspatorah partiam para sua saga shiduchenta, conforme os lugares assinalados por Lord Vursht, deixando para trás a shadchanit londrina e sua beldade cósmica. O Navio contornara a costa britânica até chegar ao país de Gales, mais especificamente à cidade de Buryport, onde gaivotas famintas esperavam pelo seu carregamento anual de Hering. Após desembarcarem, Pinchas Foggelman e Paspatorah tomaram o trem para a capital galesa Cardiff, mas foram atropelados por uma moça que lhes perguntou em gaélico quando partiria o próximo navio de voluntários para os assentamentos agrícolas da Terra Santa. Pinchas Foggelman ficou impressionado com a leveza do sotaque da moça e perguntou se ela não gostaria de lhe mostrar como as galesas preparavam a mesa de Shabat. - I afraid I will not be ready to answer your request by the present moment, Mr. Foggelman, my fiancèe is about to arrive from the British Colonies in North America any moment and he will not be pleased of this! [tradução rápida para não perder o fio da meada: - Tô meio enrolada, cai fora Mané!] - Agora são 2 shiduchim malogrados Mr. Foggelman, só faltam 78! - Mas Paspatorah, eu justamente estava interessado nesta meidale! Tão refinada, que voz melodiosa, que graça no andar... veja, preparei um ode anglo-saxão para ela: - Olha, que coisa mais fina, parece uma tábua, é ela, grã-fina que vem e me espinafra, parece a Olivia, mulher do Pó peyes... - É "Popeye", Mr. Foggelman. - Paspatorah, não me corrija nestes momentos fossais. Em primeiro lugar, o personagem Popeye só será inventado daqui a 50 anos e em segundo lugar esta é uma Lenda Tropicasher, portanto é Pó peyes! - Vamos, não fique assim... é uma lei dos Shiduchim: você nunca quer a moça que te quer e jamais é querido pela moça que quer. Deveria estar feliz chefe, pois deste modo chegaremos rapidamente aos 80 Shiduchim antes mesmo de passarmos pela linha que separa os dois hemisférios terrestres. - Por falar nisso Paspatorah, qual é o nosso itinerário? - Deixe-me ver: está dentro de uma caixinha colorida com as letras GPS gravadas em couro. - GPS? O que significam? - "Groice Prêmio para Singles". Achei!! Eis o mapa interdobrável transoceànico com o nosso itinerário: O navio se preparava para zarpar. As amarras estavam soltas e Pinchas Foggelman relaxava no salão Tropikosher do navio, decorado com motivos tropicais-, enquanto sorvia um chá de jaca majestoso: - Paspatorah, você já está me dando nishguit! Vamos, leia logo este itinerário! - Sir Pinchas, com todo o respeito, precisamos fazer Tefilát Hadérech antes disso, pois o navio já está deixando o cais. - Ora, deixe este mister para a minha pessoa... traga-me aquele pergaminho especial, enviado pelo Conde de Latkesburg especialmente para mim, como presente de Chanucá. - Ei-lo, senhor: ![]()
- By the way, meu bom Paspatorah, creio ser de bom alvitre disponibilizar esta importante benção em letras latinas e com tradução para o vernáculo local. Vamos, passe para a Torah: - Ei-la again, Sir: Recite antes de viajar, logo ao deixar o perímetro urbano: Yehi ratzón melefanêcha, Ado-nai Elo-hêinu ve Elo-hêi Avotêinu, she tolicheinu leShalom ve tatsidêinu le Shalom, ve tadrichêinu leShalom, ve taguiêinu le mechoz chafatzêinu leShalom ve tachzirêinu lebeitênu leShalom, ve tatsilêinu mi col minei puranuiót ha mitragueshót lavó leOlam, ve ten brachá le col maassé yadêinu ve titenêinu lechên ulechessed beEineicha u beinêi col roêinu ve tishmá kol tachanunêinu, ki E-l shomêa tefilá ve tachanun atá. Baruch Atá Ado-nai, shomêa tefilá! (Que seja a Tua vontade, Hashem nosso Deus e Deus de nossos patriarcas, que nos guie para a paz e que nos dirija para a paz e que nos oriente para a paz e que nos faça chegar ao nosso destino em paz e que nos leve de volta para a casa em paz e que nos salve de quaisquer intempéries que costumam vir ao mundo e conceda bençãos a nossos afazeres e que sejam do agrado tanto aos Seus olhos quanto aos dos humanos, porque o Senhor é misericordioso e ouve nossas rezas. Bendito sejas Tu, Hashem, que ouve a nossa reza!)
- Amén, Sir! Estamos espiritualmente prontos para a nossa saga em busca do Shiduch perdido. Faltam somente 78 para chegarmos sãos e solteiros ao Ducado Idish de Golders Green, onde serás sagrado, consagrado e não terás nenhum desagrado. Vamos lá:
Saída do Porto de gales >> Chegada a Porto Gales >> Entrei de solteiro num navio >> Torada em Madrid >> Enchi a Pança na França >> O Melô do Shiduch >> De Balão ao famoso balcão >> Uma Benção em Praga >> Até a Kiev? >> Uma guria na Turquia?>> Chegada ao Porto de Haifa >> Israel, a Areia que Virou Mel >> Vá em frente até o Oriente>> O Caminho das Idish >> A província de Zhai Ghe Zint >> Nadando até o Alaska, que lasca! >> Can... Nada! >> My ami! >> Duas Calas em Dallas >> Pedi arrego em San Diego >> Mexicomigo, mexi! >> Meu bem estaria em Belém? >> De jangada a Tropicasher City >> Partindo o Cabo da Boa Tikvá >>O Deserto de Cála Hari .. Contornando o Egito >> Pouco falta, estamos em Malta >> Pega as tralha, arribamo á Itália! >> A correnteza de Veneza >> Derrapando até a Escócia >> O Shiduch numero 80. Não, 79. Não, 80! Não, 79! 80! 79! 80! 79! Eifo Shlomo?
- Paspatorah, a lista está excelente, mas creio que você esteja dando um pequeno fora... - E qual seria ele, senhor Foggelman? - De onde estamos partindo? - Porto de Gales, Groice Bretanha, senhor. - E para onde estamos indo? - Porto Gales, antigo nome de Portugal, senhor. - Já sabe qual é o fora? - Não senhor. - Não existem mais judeus em Portugal, Paspartorah. Infelizmente. A maioria foi parar em Braziland. - Mas, senhor, estava no GPS. - Deve ser algo relacionado à Hashgachah Pratit (Providencia Divina). Ok, então passe para a Torah. - Obrigado senhor Foggelman. Talvez tenhamos alguma mitsvá a fazer em Portugal que ninguém possa fazer por nós ou em nosso lugar. É por isso que às vezes vamos parar em lugar inusitados, ou neste caso, ilusitânios. Mais bolinhas de kneidalach no seu chá de jaca? Meidaleine Mitakleinguelt precisava voltar a Rochester Island antes de Chanucá pois prometera aos pais que traria azeite casher para acender as velas no melhor estilo Normando-Hispânico. Madeleine tinha complexo de Tsniut por isso reclamava uma cabine só para ela, com mucamas e todo o staff somente de mulheres, pois não queria que ninguém soubesse que ela tinha tantos namorados, o que não ficaria bem para uma moça que pretendia criar uma imagem falsa de religiosa para abocanhar um partidão como Pinchas Foggelman, ainda mais sabendo que as despesas do casamento seriam totalmente pagas pelo C.I.S.C.O. Existem moças que usam este estratagema, dizendo aos rapazes religiosos que não podem ficar com eles em lugares fechados pois isto contraria as leis judaicas, ao mesmo tempo em que tem casos amorosos de forma nem tanto Tsniúnica. Elas circulam debaixo de nossas kipás. Ohhhhh!! Em todo caso, Paspatorah desconfiara logo de início que a senhorita Mitakleinguelt estava ali somente para tentar fazer seu pé de inteira. Pé de meia náo bastaria para a sua ganância. Ela só quer alguém com parnassá. Ficou mais desconfiado ainda quando ela apareceu ao encontro acompanhada. - Olá Sir Pinchas, este é Richard Legrand, meu professor de Tsniút! - Professor de Tsniút Ms. Meidaleine? Nunca ouvi falar... - Pois é, seu Zé, sou nova na fé por isso preciso me up-deitar todos os dias para ficar por dentro. Meu professor de Tsniút está sempre junto de mim para que não descubram o que realmente sou e principalmente com quem eu faço. Richard Legrant é o melhor professor de tsnuit que conheço... - Srta. Madeleine, o que é esta revista estranha na sua bolsa? Parece ter homens musculosos desenhados... - Paspatorah, eu não lhe devo informação alguma, sou adultera, vacinadera e sei muito bem o que faço, por isso pare de fuçar nas minhas coisas, senão meu intrutor de Tsniut vai ficar fechado comigo dentro da suíte do navio o tempo todo para me proteger de vocês! - Vamos embora, sr. Foggelman, este shiduch não é para o senhor. - Mas Paspatorah, a gata é uma moça, digo, a moça é uma gatidish!!! - Gatos não são animais casher. - Paspatorah, não coma tanto bacalhau com chrein, assim vamos chegar atrasados ao comboio que nos leva a Madrid. - Sir Pinchash, ishto aqui eshtá uma delishia, o shenhor deveria provar - dizia Paspatorah ao mesmo tempo em que mastigava seu bacalhau à Gomes de Shil e sorvia um bom vinho do Porto, casher é claro. - Blim, blim, blim... blim, blim, blim - anunciava o comboio que ia da cidade do Porto a Madrid. - Señor Pinjas y señor Paspatorah! Se los doy algo como cinco minutos para que se apurem, del contrário tendremos que dejarlos acá con su plato exquisito, hasta que se farten de el! - Esquisito? Como assim esquisito? Eu mesmo supervisionei o bacalhau!!! Esquisito é esse cocheiro com esse pano amarrado na cintura e fazendo lacinho atrás. Eu, hein? - Paspatorah não crie caso. Esquisito em espanhol quer dizer saboroso. E o cara deve ser toureiro a julgar pela roupa. Melhor não se engraçar com ele. Vamos, coloque o que sobrou do bacalhau com chrein numa "morninha" e suba depressa com nossas malas no comboio. Caso o leitor esteja curioso à respeito, as morninhas foram uma invenção lusitana. Visavam manter a comida morna durante longos percursos, principalmente quando expostas ao sol. Mais tarde foram copiadas pelos americanos, que as chamavam de quentinhas depois que atravessavam o deserto do Arizona. - Paspatorah, qual é o nosso endereço em Madrid? - Calle Balmes. - Mas é lá que fica "la Grande Sinagoga Madrileña"! - Exatamente, sir Foggelman - o senhor terá que passar por uma Torada antes do proximo shiduch. - Mas nós judeus somos contra as touradas, isto éTsaar Baalei Chaim ! - Não vamos a uma tourada. Elas são chamadas de "corridas de touro" por estas bandas. Vamos a uma Torada - uma bateria de prédicas de Torá feitas pelos maiores rabinos sefaradim de toda a Iberia! Somente se o senhor puder rebater os argumentos talmudicos deles e completar os versiculos de David e Salomão que eles sabem de memória, poderá sair com a senhorita Meidalina bat Yankelito de Shloime y Shloime! - Puxa, esse é um nome Sêfa dos bão, Paspatorah, agora teremos que caprichar nas nossas prédicas. - Tenho um alef na manga, senhor! Diga que só falará sobre Torá em proto-ladino, que eles provavelmente não conhecem e terão vergonha de admiti-lo e quando te perguntarem algo responda em Idish!! - Mas isso é blefar, Paspatorah! Não é um comportamento condizente com a nossa fé. Discordo piamente. - Veja isto por outro lado, sir Pinchas: o senhor não sabe uma só palavra em Espanhol, muito menos em ladino. Hebraico então nem se fala. Só sabe falar inglês e um pouco de idish. Não estará mentindo, somente dando um matiz diferente à verdade. Sabe que não poderemos deixar Madrid se o senhor não se encontrar com Meidalina e ela é o único Shiduch disponível nesta cidade. Vamos, faça este sacrificio. - Está bem, Paspatorah, mas se algo der errado você será o responsável!
"SU ATENCIÓN POR FAVOR: LLAMAMOS A LA PRIMERA TORADA EL SEÑOR PINJAS FOGGELMAN, DE LONDRES, QUE DEBERÁ DEBATIR CON EL SEÑOR... YANKELITO DE SHLOIME Y SHLOIME!!" ![]() - Hablaré solamente en proto-ladino, leu Sir Pinchas de um rascunho preparado por Paspatorah. - Perfecto, disse o organizador da Torada. Pensábamos que el señor Yankelito de Shloime y Shloime era el único judio que todabia hablaba el proto-ladino. Ahora tendremos el honor, pues, de oirlos debatir en su idioma preferido. Yankelito de Shloime y Shloime dirigia-se ao pulpito da Sinagoga suando frio. Jamais pensaria que alguém pudesse ter usado na Espanha uma artimanha igual à sua. Decidiu esperar que Sir Pinchas abrisse o papo: Sir Pinchas: - Vus macht a yid? (Como vai meu amigo judeu?) Yankelito: - Oy vey!!! Du redst yidish? (Cara, você também fala idish?) Sir Pinchas: - Far vus du mach a dus? (Por que está agindo assim?) Yankelito: - Fir mach guit guisheftn mit der turkisherai. (Para fazer bons negócios com a turcaiada) Sir Pinchas: - Vus wie gai mach yets? (O que faremos agora?) Yankelito: - Zug wie chob ein Teko! (Diz que empatamos!) Sir Pinchas: - Und Meidalina... vus is der guishein? (E Meidalina... como é que fica?) Yankelito: - Fargessen, zie binisht far dier. (Não fica nem desfica. Esquece, ela não é pro teu bico)
Deste modo, tanto Sir Pinchas e seu fiel escudeiro Paspatorah, quanto o señor Yankelito de Shloime y Shloime puderam disfarçar e sair pela tangente, para que ninguém descobrisse que um não sabia Torá e o outro não sabia Ladino, assim poderiam contar mais um Shiduch malogrado na lista e ninguém estragaria os negócios de Yankelito, que vendia hering a preço de ouro em Madrid, dizendo que era bacalhau russo. Agora faltavam somente 76 Shiduchim. Sir Pinchas e Paspatorah deixam Madrid correndo rumo à França, terra dos Shiduchim intermináveis, regados a vinhos casher apaixonantes tendo como sobremesa o famoso Crépale Shoshana, iguaria inigual criada especialmente para a corte do Rei Luís XVIII, também conhecido como Leibale Chai pela comunidade judaica local. - Mil dólares para quem disser algo similar ao valor numerico da palavra MOSHÊ (Moisês) em hebraico! - Anunciava Monsieur Dargent, o mestre de cerimônias, durante a ceia do brit-milá do novo pimpolho que nascera numa familia de ricos comerciantes franceses. - Eu sei, disse Paspatorah! A palavra Moshé vale 345 em hebraico e um dos Nomes Sagrados de D-us, "E-l Sha-dai," também vale 345!!! Ganhei os mil dolares, que dôo ao meu patrão Sir Pinchas Foggelman, para custear suas despesas de buscação de Shiduch pelo mundo. - Mon bon Paspatoráh, tu est un person formidable - disse Monsieur Dargent, um dos estudiosos mais ricos da França. Na verdade eu havia pensado nas palavras "Iehudi yakar" (judeu querido), mas como você respondeu corretamente e também provou ser um Iehudi yakar doando a soma para os esforços shiduchentos de Sir Pinchas, vou lhe pagar os mil dólares. Além disso, não fazê-lo seria uma forma de Gnevat Deá (roubar o sentimento alheio), pois eu poderia pensar qualquer outra coisa somente para não pagar. Nossa Torá sagrada ensina: "Cuida do que pronunciam os teus lábios". Sempre que prometer algo, busque cumpri-lo. Agora vá, prossiga na busca do Shiduch perdido. - Paspatorah, creio que a primeira coisa que devamos fazer com essa bufunfa ganha de modo inesperado sera separar o Maassêr (dízimo) e com ele ajudar outras pessoas, quem sabe algum órfão ou uma noiva a que falta despesas para o casamento. São mitsvot importantíssimas. A segunda coisa é fazer uma refeição de agradecimento - Seudát Hodayá - com o melhor que pudermos. Vamos, você merece, tem uma mercearia casher em frente à Sinagoga com vinhos e queijos franceses da melhor qualidade. Somados a um bom baguete comprado na padaria Le Chef duKichale, teremos uma soberba Seudát Hodayá! - Chazak uBaruch, Sir Pinchas! Que bonito exemplo deu esse rabino oferecendo os mil dólares e depois se oferecendo a pagar mesmo que eu não tenha dito a resposta que estava no coração dele. O mundo será redimido por causa de pessoas deste naipe. Agora vamos à mercearia casher porque meu estomago já está roncando em dó maior. Na Espanha não pudemos comer quase nada... os caras põe carne de porco até em sorvete de limão. - Deve ser para dar aquele gostinho Paspatorah, mas isso não nos diz respeito. Não esqueça de trazer orchim (convidados). Uma Seudát Odayá é sempre melhor quando a compartirmos com mais gente. Durante a Seudat Hodayá apresentaram a magnífica Fashla Guedola para Sir Pinchas, mas ele não aprovou o Shiduch pois ela era uma reconhecida ricaça e o criticou por haver gasto parte do dinheiro ganho numa ceia de agradecimento convidando pobres para a ceia, ao invés de convidá-la parar tomar umas biritas. Faltam então 75 shiduchim. A companhia de sábios sabichões já havia tomado conta de toda a Alsácia-Lorena, berço do judaísmo ashkenazi na Europa. Eles haviam mal entendido a mensagem da Torá que diz: "Te ocuparás com ela dia e noite", pensando que era para estudar Torá sem fazer mais nada na vida. Os Rabinos foram contra. Como alguém pode dar tsedacá se não trabalhar? Como alguem pode tirar o dizimo das plantações se não plantar? Como alguém pode morar em algum lugar se não construir? Comer se não cozinhar? - Paspatorah, estou um pouco desconfiado da Companhia de Sábios Sabichões. Eles tem planos mirabolantes para aproximar as pessoas da Torá e se dizem experts no assunto. Realmente, são ótimos horadores! - Não seria "oradores", Sir Pinchas? - É horadores mesmo, Paspa. Não vêem a hora de tirar dinheiro dos outros em troca desta sabedoria. Já notou que só tem gente rica e exclusiva nos encontros sociais deles? Já viu alguem pobre circular por lá? - É verdade Sir Pinchas. Toda a vez que leio "O Arauto de Novas", eles estão no primeiro pergaminho, sempre apertando a mão de algum dignatario. Esquisito, né? Disfarça, tem um deles vindo na sua direção. - Mister Foggelman, meu amigo!!! Que prazer enorme e mavilhoso encontrar o senhor! Ficamos sabendo que o senhor é um dos maiores incentivadores da sabedoria. Poderia nos doar 8 milhões de mixilingues? - O que farão com o dinheiro? - Vamos aproximar as pessoas do saber. Só nós temos isto. Somos exclusivos. Todos nos adoram. Olha, sabia que uma vez uma pessoa triste leu o nosso Arauto da Sabedoria e ficou feliz no mesmo momento? Não queremos o seu dinheiro, queremos o seu envolvimento. O que nos importa é que saibam o saber. - Neste caso, posso fazer um cheque de 140 mixilingues. - Só 140, porr... digo, que maravilha, Mr. Foggelman, sua primeira doação de 140 mixilingues para a sabedoria! Agora poderemos fazer mais pessoas sabias com a nossa sabichice. Gostaria de um shiduch de brinde? - Na verdade sim, pois preciso me casar com extrema urgencia, do contrario o clube me banirá. - Ora, sir Pinchas, nenhum clube teria a coragem de banir alguém tão sábio em mixilingues! Quer conhecer a Marquesa de Rosas? Ela é um doce e adora pessoas sábias! Vamos combinar o shiduch após a entrega do cheque está bem? Fornecemos recibo para imposto e damos recomendação escrita para o Olám Habá. - Sugiro o shiduch primeiro, reiterou Paspatorah. Do contrário parecerá que vocês só querem o nosso dinheiro! - Chas vechassôn! Longe disso senhores! Nosso único objetivo é que as pessoas saibam a sabedoria... não queremos nada para nós! Vamos lá então: Marquesa de Rosas, você tem nossa permissão para casar! - "Nossa" permissão para casar? Que raios é esse, Paspatorah? Os caras mandam nas pessoas? - Sir Pinchas, melhor conhecer a moça primeiro e tirar conclusões depois. Passados alguns momentos, aparece fulgurante a figura da Marquesa de Rosas, roseando o ambiente. - Mr. Pinchas, posso chamar o senhor carinhosamente de Pipo? Fui super com a sua cara!! - Mui generoso de vossa parte, senhorita Rosas, quando será a chupá? - Por mim pode ser agora! - pipocou o Sabichão. Já tens o cheque pronto e assinado? - Sim, senhor sabichão. E como o senhor não se importa nada com o dinheiro, mas com aproximar as pessoas da sabedoria, o doaremos a uma instituição que está no inicio e sofrendo com sofreguidão para aproximar as pessoas da sabedoria, com beleza e alegria. Assim todos lograremos nossos objetivos. Neste mesmo momento, o sorriso singelo e companheiro do senhor Sabichão mudara para um aspecto que demonstrava frieza e cólera. Conseguir aquele dinheiro era vital para ele. O que faria agora?? Decidiu bater uma papinho com a Marquesa de Rosas. ![]() - Chimbica, pode devolver a roupa de marquesa para a loja de fantasias para Purim, que o golpe melou!! Tu não é marquesa nem aqui e nem na China! - Mas senhor sabichão, eu havia gostado dele! Quero me casar com ele, sim!!! - Se você se casar com ele não poderá mais frequentar nossos eventos exclusivos e únicos no mundo. Alem do mais, ele não tem mesmo este dinheiro, nem é religioso, nem é judeu, nem é britanico, nem é. - OK, OK, se o senhor está dizendo é porque é verdade mesmo, pois o Arauto dos Sabichões já publicou varios artigos dizendo que vocês nunca erram, isto significa que é verdade mesmo. OK, nicas de shiduch. Paspatorah e Sir Pinchas foram informados do final do shiduch por um I-meil: "Informe que melou este infame laço". Tristes por um lado mas com o espírito descansado por não terem caído no Conto do Lavan como nosso patriarca Jacob, decidiram prosseguir caminho até a Basiléia, onde ouviram dizer que um importante Congresso estava por acontecer e que beneficiaria o povo judeu para sempre. Em frente! Faltavam 74 Shiduchim. A coisa ia devagar demais, era preciso tomar a dianteira pois algo aqui cheirava mal. Paspatorah desconfiava das intenções de Lord Vursht, que jamais arriscaria colocar a verba semanal do jogo de bridge do Club numa aposta sinistra como esta. afinal, oito milhões de mixilingues era muito dinheiro para se gastar num Shiduch. - Sir Pinchas, desconfio que Lord Vursht o enviou nesta missão com outro propósito. - E qual seria ele, meu bom Paspatorah? - Você tem apoiado o apelo se sua Majestade em prol do Lar Nacional Judaico na Palestina e isto irritou muito a parte da fidalguia britidish para quem tudo isto não passa de uma grande balela, uma aventura quase sem volta. Pode haver non sense maior dos que este? Corach os adoraria... - E porque o povo haveria de se deixar enganar pela fidalguia, Paspatorah? Por acaso não diz o nosso Talmud que é melhor aquele que vive na Terra escolhida por Hashem mesmo entre gentios, do que aquele que vive num enorme ishuv da diáspora, mesmo que somente entre os seus? Não está escrito também que quando a terra começar a dar os seus frutos, não há maior sinal da redenção? Recém tomei uma garrafa de um vinho soberto feito nas vinículos de Zichron Iaacov, uma flor de vinho! Baruch Hatov vehameitiv! - Sir Pinchas, infelizmente a razão nem sempre está com a maioria dos judeus, principalmente quando se trata de Israel. Olhe, quando Moisés enviou doze espiões para lá, só dois voltaram sionistas, o resto lascou o malho na terra escolhida por D-us. A redenção já chegou para os que estão em Israel ou indo para lá, mas a diaspora resiste nos corações dos judeus que se viram para a vontade de Nossa Majestade. - Sua Majestade, o Rei da Groice Bretanha, você quer dizer. - Não, sir Pinchas, Nossa Majestade: HaKadosh Baruch Hu. - O que faremos então, Paspatorah? Voaremos até lá como se fossemos passaridish? - Mas que ótima idéia, Sir Pinchas! Um balão!!! Não sei se eles servem para transportar as pessoas, mas tenho uma amigo que os usa para fazer propaganda do restaurante casher mais badalado de Strassburg, "Le Varenic D'or". O champagne de lá é uma maravilha e o kuguel flambado nem se fala... - Paspatorah!!! Um congresso reunindo todos os judeus do mundo em torno da volta ao nosso lar nacional está por se realizar e você fica aí, pensando em kuguel flambado! Vamos, arrume logo este balão. - Algumas horas apenas e nossos amigos ultrapassavam os Alpes franceses em direção à Basiléia, onde um um mais valiosos judeus da história estava por lançar a pedra fundamental do Terceiro Templo.
Binianim Zeev (Theodor) Herzl - líder religioso-sionista A kipá não aparece porque a foto saiu cortada. *** - Paspatorah, aquele homem apoiado no balcão do hotel vislumbrando o futuro não lhe parece estranho? - Ele está aguardando o Minian para a oração de Minchá, antes que o sol se ponha, sir Pinchas. Saiu do evento onde está sendo organizado o Primeiro Congresso Sionista Mundial porque se recusa a dar continuação aos discursos soberbos bajulando dignatários sem que seja rezada Minchá antes. - Então vamos rezar Minchá aqui e agora, Paspatorah. - Decerto, sir Pinchas, ... Ashrei yoshvei betecha, od iaálelucha sela... O caminho pelos alpes suiços até atingir a estrada de ferro que levaria a Praga era tortuoso. Não porque a estrada fosse esburacada, mal sinalizada ou o transito não andasse, nada disso existia na Suiça, mas porque Sir Pinchas não havia conhecido nenhuma moça shiduchável da Basileia no oeste a Insbruck no leste, e isto o deixou tão apreensivo que se balançava de um lado ao outro da carruagem, até ouvir a reclamação do cocheiro italo-suiço, el Signore Balagala: - Per favore, parare de balancciare la mia Agala, que io te presento una Cala! - Má de vero, Signore Balagala? - Te parece que sono un pazzolino, Signore Pinchas? Te voy presentare la mia figlia Augustinale, cuando noi arribamo a Lugano. Prego. - Má que bela notizia, Signore Balagala? Sono molto prestigiatto por questa oportunitad! É vero que tu sei uno descendente de grande rabinii italianii? - perguntou Paspatorah. - Verissimo!!! Me adesso, para de parlare perque sono perdendo l´equilibrio nella strada. Paspatorah parou de apoquentar os nervos do senhor Balagala, para não perder o Shiduch. De repente, no meio da estrada, alguém pede carona. Parecia ser um judeu religioso, ansioso para chegar ao seu destino. Balagala pediu permissão aos viajantes e lhe ofereceu carona. - Não estou buscando uma carona - redarguiu-, subindo rapidamente ao comboio. Quero pagar pela minha viagem e convido todos vocês a virem comigo, com todas as despesas pagas! Acaba de chegar a Praga um rebe muito famoso por sua visão espiritual e com imenso poder brachônico. - Tem algum shiduch por lá? - perguntou Paspatorah. Estamos dando uma volta ao mundo em... - Mas é óbvio que tem!! Disse o homem, batendo as duas palmas da mão num gesto tipicamente judaico, demonstrando contentamento. Tem as irmãs Sister!! São três irmãs procurando shiduch urgentemente. - Senhor Balagala, - disse Sir, Pinchas - se estiver disposto a nos comboiar até Praga, quero dividir as despesas com o senhor... qual é mesmo a vossa graça? - Minha graça é tomar vinhos caros em Purim. - Não é a isto que me refiro... qual é o seu nome? - Porque não perguntou antes? Meu nome é Pessach Sheni. - Bonito nome, "sheni" quer dizer "belo" em Idish, certo? - Não, isto é "sheyne". Sheni em hebraico quer dizer "segundo". Quando os judeus não podiam fazer o korban (sacrificio) de Pessach por estarem ritualmente impuros ou muito distantes do Templo, indepentemente da sua vontade, tinham uma nova chance de faze-lo exatamente um mês depois. - E porque você é chamado de Pessach Sheni? - Porque tenho o costume de procrastinar as coisas para depois de trinta dias. Sir Pinchas e Paspatorah queriam rir mas lembraram que é proibido divertir-se às custas dos outros. Lembraram também que é um mandamento julgar favoravelmente os outros, por isso mantiveram silencio. - Senhores, vejo que sois almas sagradas - disse Pessach Sheni. Poderiam rir-se de mim mas preferiram manter silencio. Por isso vou revelar-lhes algo: não procrastino as coisas sagradas, as mitsvót, o estudo da Torá, nem um só segundo!! O que procrastino são as coisas do Olam Hazé, este mundo vão e cheio de inverdades. Balagala ouvia atentamente a conversa e decidiu parabenizar Pessach Sheni, tirando um saborosíssimo Chianti casher debaixo de seu banco e oferecendo aos viajantes. Em pouco tempo chegaram a Praga. - Paspatorah veja, um relogio em Hebraico!!! ![]()
- Andiammo diretamente al rabi, disse Balagala. La mia filgia bisogna anche di brachá per casare. Os quatro chisparam diretamente para o rebe, que os recebeu condignamente e disse a cada um deles: - Reb Pessach Sheni, não são todas as coisas deste mundo vão que devem ser procrastinadas. Muitas vezes, o nosso lado espiritual é justamente o bem estar material de outra pessoa. Por isso, se tens bom mazal e jeito para os negocios, é preciso que aceites esta benção Divina, seja rico e faça deste, um mundo melhor. - Reb Balagala, sua filha é uma preciosidade, mas de modo algum seria um bom Shiduch para Reb Pinchas. Acredito que na sua própria cidade encontrarás mais rapidamente um bom partido para a sua filha, se deixar o orgulho de lado e não insistir em que case somente com um erudito. Não raro pode estar oculto um chacham dentro das pessoas que te parecem mais simples. - Reb Pinchas, continue na sua saga em busca do Shiduch perdido, porque nunca se sabe quais são as missões ocultas que Hashem nos coloca à frente quando saímos numa jornada com um objetivo sagrado. - Reb Paspatorah, lembre-se que você também existe, que também conta e que a vida não é somente ajudar os outros, procure uma esposa também para si. Assim, nossos quatro heróis deixaram a presença do rebe, cada um com sua respectiva benção. - Faltam 70 Shiduchim, Sir Pinchas. A filha de Balagala e as irmãs Sister entraram no cômputo. A estação de trens de Bratislava estava apinhada de gente, que viera acompanhar o rebe em sua viagem de volta a Minsk. Sir Pinchas aproveitou para pedir uma brachá e uma sugestão. - Vá para Uman, cidade Breslav, disse o rebe, subindo rapidamente no vagão do trem. - O que devo fazer por lá, rebe? É muito longe e nem tenho visto de entrada. - Vá para Uman. Só isso. Com plena fé no conselho do rebe, embora visivelmente confuso, Sir Pinchas e Paspatorah compraram uma passagem de ida até Uman, com escala em Kiev, na Ucrania. A viagem era longa e os dois aproveitaram para contabilizar suas despesas e fazerem o cálculo custo/beneficio da viagem. - Sir Pinchas, até o presente momento investimos £100/SH. - O que vem a ser isso, Paspatorah? - Cem libras esterlinas por Shiduch. Estamos bem. O trem passava rapidamente por centenas de cidades eslavas, onde inumeras Sinagogas podiam ser avistadas pela janela, com seus inconfundíveis vitrais em forma de Maguen David e as Menorót enfeitando as portas, alem de claro, as Mezuzót, algumas delas grandes o suficiente para serem vistas de longe. O cheiro de hering era intenso dentro do trem, mesmo na primeira classe, mas em nada se assemelhava ao Marinated Hering que eles degustavam em Londres com pompa e gala. A chega a Kiev foi conturbada. Um leve tumulto se formava diante do guichê dos vistos de entrada, com gritos em italiano e ameaças com dedo em riste para o guarda alfandegário, que quase manda prender todo o mundo. Havia um torneio internacional de esqui em Kiev, o Eskiev, e com isso os ucranianos visavam lucrar um pouquinho mais aumentando a taxa dos vistos em 200%. Os italianos chiavam mas nada adiantava. Paspatorah tinha que bolar um estratagema para pagarem menos. - Sir Pinchas, ainda tem aquela caixa com charutos importados da América do Sul? - Sim Paspatorah, mas o quê... - Se importa de ceder um ou dois charutos? - De modo algum, mas não vejo como... Sem dar tempo para pensar, Paspatorah pegou os charutos e chamou o responsável pelos guichês de imigração de lado. O Czar da Rússia havia proibido a importação de fumo turco e isto deixava a população aficionada em charutos sem ter com que acompanhar seu heringuezinho com vodca. - Já fumou algum destes, Capitão? São da America do Sul e o fumo é tropical. Não estão proibidos pelo Czar. - Deveras, nobre colega, gostaria muito de provar um, mas não sou capitão, apenas sargento. - Mas fala e age como capitão! Sem dúvida, breve subirá de posto. - Spassibo, tovaritch! Muito obrigado pelo cumprimento e pela previsão. Do que precisam exatamente? - Precisamos de dois vistos por 3 dias mas vocês estão cobrando 200% a mais. - Dê-me os passaportes de vocês, por favor. Se incomoda se eu levar um charuto sulamericano para a minha sogra também? Ela adora charutos... - De modo algum, eis aqui os passaportes e mais dois charutos para o futuro capitão. Momentos depois Paspatorah vinha caminhando feliz com os dois passaportes na mão, com vistos de entrada VIP para ambos. Passaram rapidamente pela alfândega e pediram transporte para a Sinagoga Central de Kiev, que fica na rua Chuchovicka 23, no bairro Podol, como todos sabem.
A Sinagoga estava irrequieta, pela primeira vez em muitos anos era organizada uma Chupá naquele local. Mas as perseguições aos judeus naquela cidade tornavam a tarefa de formar um Minián uma missão quase impossível. Haviam apenas oito judeus maiores de 13 anos de idade, faltando dois homens para formar um minian, como requer a Lei Mosaica. Sir Pinchas e Pasparotah não faziam idéia do perigo que corriam. Haviam cossacos por toda a parte. - Sir Pinchas, creio que não nos deixariam entrar. As pessoas estão se escondendo. - Paspatorah, agora não é hora de ter medo, viemos aqui para encontrar a minha provável esposa e não darei para trás justo agora que recebi a benção do rebe. Vou entrar na Sinagoga e pronto. Apenas alguns passos e Sir Pinchas foi barrado por um cossaco a poucos metros da Sinagoga central de Kiev. Se desse uma piscada a mais este poderia ser o seu fim. Por isso deu meia volta e pediu a Paspatorah que o acompanhasse, fazendo um sinal com a cabeça. - Veja, Sir Pinchas, está saindo um comboio direto para a cidade de Uman, a cidade mencionada pelo rebe. Venha, vamos subir. Se ambos houvessem olhado com mais atenção, teriam notado que os tais "cossacos" falavam idish entre si. Na verdade, eram o shamash e o gabai da Sinagoga disfarçados, que haviam sido contratados por um emissário de Lord Vursh para tentar impedir que Sir Pinchas conhecessem Natasha Shiduchova, uma linda moça da nobreza russa que havia se convertido ao judaísmo e estava sendo disputada a tapa pela rapeize local. Sua chupá seria dentro de três dias e estava sendo escolhido seu futuro marido dentre dois mil candidatos de todas as rússias, pelos rabinos locais. Contrariado, mas esperançoso, Pinchas Foggelman subiu no comboio sem saber o que faria nesta tal cidade de Uman, mas sentia a cada passada dos cavalos, que alguma coisa boa o esperava. As horas passavam devagar. O sacolejar do comboio colocou nossos dois heróis britidish a dormir, Nem perceberam os guardas da polícia do czar revistando o comboio durante uma parada obrigatória em busca de tabaco turco, cuja importação havia sido proibida até segunda ordem. De repente, não mais que de repente, o cocheiro parou os cavalos e gritou com forte sotaque russo: - Uman! - Sir Pinchas, acorde, chegamos a Uman! - Paspatorah, onde devemos descer? - Não sei, vamos perguntar ao cocheiro, vou testar o meu russo: - Tovarich, pajalosto, eifo larédet? (camarada, por favor, onde devemos descer?) - Larédet can. (desçam aqui) - O que ele disse, Paspatorah? - Que devemos descer aqui e perguntar onde fica o Tsadik da cidade. - E agora, Paspa, o que faremos? - Faremos o que ele diz. Vamos perguntar àquele senhor que está saindo do portão daquela casa amarela. - Tovarich, pajalosto, eifo Tsadik? (camarada, por favor, onde fica a casa do Tsadik local?) - Can. (aqui) - Ele disse que fica aqui. Vamos entrar. Sem mais, nem menos, nem vezes, nem dividir, os dois entraram dentro daquela casa amarela e viram um túmulo coberto por um parochet (manto sinagogal). Era o túmulo de Rabi Nachman de Breslav, onde seus chassidim acorriam para recitar o Ticun Clali, uma coletânea de Salmos que serve de remédio espiritual para todos os males humanos segundo o rebe. Logo depois de recitarem os salmos, foram abordados por um Chassid, que lhes surrurrou ao ouvido: - Psst! Falem baixo. Ouvi dizer que vocês estão dando uma volta ao mundo para encontrar o Shiduch ideal para Sir Pinchas. Todos os aldeões judeus já sabem disso, mas os aldeões não judeus também sabem e isto pode dificultar um pouco a sua missão, pois Lord Vursht ofereceu um lanchinho extra a quem impedir que isto aconteça, por isto eis o meu conselho.... Sir Pinchas e Paspatorah escutaram com atenção o conselho e decidiram segui-lo para despitar Lor Vursht, não sem antes demonstrarem sua surpresa: - Mas... até a Kiev?! Sim, até a Kiev havia chegado a noticia de que nossos dois heróis estavam em busca do Shiduch perdido. Por isso todo cuidado era pouco. Resolveram portanto, mudar de tática. Doravante se disfarçariam como habitantes locais da localidade onde localizar-se-iam, para deste modo deslocar Lord Vurscht e tomar a dianteira numa contenda que agora se tornara desleal, graças à falta de cavalheirismo e espirito esportivo de Vurscht. Fizeram de conta que estavam se dirigindo ao Oriente, mas ao invés disto tomaram uma pequena embarcação rumo à Turquia, outrora o poderoso Impérito Otomano. - Sir Pinchas, nosso dinheiro está minguando, temos que fazer algo. - Ora, Paspatorah, passe isto para a Torah! Vamos dar aulas de Judaísmo em diversos idiomas durante o caminho para ajudar a aproximar as pessoas da nossa fé. Isto se chama Kiruv, do verbo Lekarev (aproximar). Karov (perto, próximo) é também o radical do termo Korbanot (sacrifícios), em hebraico. - Sir Pinchas, está será a nossa primeira aula: como se tornar mais próximos de Hashem por meio da aproximação da Torá. Mas... como obteremos o numerário necessário para tal empresa? - Contataremos uma empresa! Procuraremos algum empresário que se interesse por Kiruv e ofereceremos aulas de Judaísmo em troca de um mínimo de subsídio para o prosseguimento da nossa viagem, visto ser duplamente benigna: encontrar o Shiduch perdido e aproximar mais judeus da Torá. Depois de muito perambular, Sir Pinchas Foggelman e seu fiel assistente Paspatorah obtiveram uma audiência com um empresário de sucesso na Turquia, terra do Rabino Yaacov Kuli, autor da Antologia Meam Loez, coluna mestre do movimento de Kiruv no Império Otomano, onde viveu o Rav Kuli. O empresário judeo-turco ficou impressionado com a gama de conhecimento e facilidade com que Sir Pinchas transmitia seus conhecimentos judaicos, usando hora de parábolas interessantíssimas, hora do cancioneiro judaico local para transmitir até mesmo com um pouco de humor o que o judaísmo tem de melhor. - Pois bem, senhor Pinchas, estou convencido da seriedade do seu projeto. Vou financiar parte da sua jornada, a começar pelo Sul da Turquia, onde o senhor ensinará judaísmo a almas quase perdidas, logo depois que se casar com uma guria. O soldo será de 4 mil mixilingues fora os extras e passagens. - Quatro mil mixilinges Sir Pinchas! Assim vamos conseguir o nosso portento sem mais delongas nem minhongas! - Não tão depressa, Paspatorah. Você ouviu a condição do empresário turco? Devo me casar antes! - Mas que ótimo! Voltando casado, por um lado você perde a aposta, mas por outro ganha a enorme mitsvá de aproximar pessoas da Torá em cidades nunca dantes Kiruvadas! E isto é o que sabes fazer de melhor! - Mas como vou arrumar uma guria aqui na Turquia antes de terminar a falta de calmaria? - Vamos fazer uma contra proposta ao empresário, Sir Pinchas: ele nos adianta 2 mil mixilingues e nos comnprometemos a encontrar uma esposa para você. Os 2 mil restantes ele só dá depois do casório. - Ok, parece lógico, vamos lá. Nossos dois valorosos navegantes foram recebidos pelo empresário com entusiasmo. Logo ao ouvir sua contra-proposta ele disse com gosto: - Nicas de pinhungas! Só vos apoiaremos na Turquia se te casares com uma guria! - Mas assim o Judaísmo esfria!! - Sem guria, nada de parceria. Contrariado e sem esperança, Sir Pinchas deixou a presença do empresário meio que se sentindo um otário, ainda que isto não estivesse no inventário e que beirasse o antiquário. - Sir Pinchas, creio que temos mais uma vez a mão oculta de Lord Vursht! Mas não vamos esmorecer. Rabi Nachman de Breslav ensinou que jamais devemos desistir. Vamos juntar o pouco que temos e pedir uma carona até nosso próximo destino. Hashem há de nos ajudar! - Sir Pinchas, disfarce e não olhe para os lados, nem faça perguntas. Sou um emissário de um potentado local que sensibilizou-se por sua mostra de dignidade diante da postura injusta daquele empresário. Eis aqui duas passagens para o próximo navio que embarca rumo à cidade de Haifa e mais dois mil mixilinges para as despesas, para que possas prosseguir viagem e retornes vitorioso a Londres. - Vamos, Paspa, não percamos um segundo sequer, mesmo porque o seu relógio acaba de ser roubado no Suk de Istambul por um gatuno local conhecido por Fulam Oluap. Oh, que tragédia! Vamos, chispemos daqui!! Veja, um navio atracado do outro lado da ponte, consegue ler a placa em turco? - Consigo, sim, pelo menos sei ler as letras. Vejamos: LOTAÇÃO ISTAMBUL-BEIRUTH-HAIFA: PRIMEIRA CLASSE: 250 MIXILINGS POR CAVALHEIRO SEGUNDA CLASSE: 100 MIXILINGS POR PESSOA TERCEIRA CLASSE: 50 MIXILINGS POR CABEÇA QUARTA CLASSE: 10 MIXILINGS POR MANÉ QUINTA CLASSE: SABE REMAR? - Sir Pinchas, apesar de estarmos curtos de grana, creio ser mais apropriado para o seu Status Social que viajemos de Primeira Classe, muito embora a Quinta Classe possa nos render algum lucro. Sabe remar? - Paspatorah, o grande Maimônides disse que o melhor caminho é sempre o caminho do meio. Vamos viajar de terceira classe e guardar a maior parte do dinheiro para a volta, além de não precisar remar e nem levantar suspeitas. Muito embora estivessem tomando todo este cuidado, nossos heróis não perceberam um vulto que embarcava disfarçado de monge capuchinho na mesma classe, para vigiá-los de perto: Lord Vursht. O medo de perder a aposta o fizera embarcar praticamente na mesma aventura para assegurar que Sir Pinchas perdesse todas as chances shiducháveis durante o caminho. Mas teria uma estranha surpresa. Meidaleine Mitakleineguelt não se conformava de haver perdido a chance de casar com um partidão como Sir Pinchas Foggelman, por isso decidiu segui-lo e tentar, também ela, minar todos os seus shiduchim. O faria até voltarem a Londres. Para não perder a aposta, Sir Pinchas teria obrigatoriamente que desposá-la. Mas o destino lhes prepararia algumas surpresas: em primeiro lugar. Paspatorah estava mais do que de olho em qualquer tipo de deslize da futura pretendente de Sir Pinchas e não deixaria que alguma pessoa mal intencionada ou com algum tipo de plano malévolo provocasse uma situação constrangedora ou até mesmo, irreversível. Por isso mantinha um diário, onde anotava cada Shiduch e, principalmente, as características e modo de se expressar das candidatas a Mrs. Foggelman. - Veja, Sir Pinchas, o contorno do Monte Carmel! Estamos chegando a Israel, a Areia que Virou Mel! - Paspatorah, estou tomado pela emoção! Haifa me parece uma das cidades mais promissoras do novo Ishuv que vem se instalando em Israel, desde o reinicio da colonização da Terra Santa pelas moshavot do Barão de Rotshilld e a recuperação do assentamento judaico em Jerusalém por Moisés Montefiori. - Israel, a Areia que Virou Mel! - Que frase bonita Sir Pinchas, de onde a tirou? - Foi o garçom do navio que me deu um tapinha nas costas e disse isso, enquanto servia uma taça do finissimo champagne Don Tropicasher, um dos mais requentados do mundo. - O senhor quis dizer "requintado"... - Não. É requentado mesmo. O vinho casher só pode ser servido por um judeu observante, de acordo com nossas tradições, a menos que tenha sido fervido, fazendo dele um vinho diferente daqueles que eram oferecidos em oblação aos deuses de mentirinha da Antiguidade, ou que eram empurrados goela dentro dos sacrificios humanos oferecidos a divindades ainda menos conceituadas. - Que horror, Sir Pinchas! Como uma bebida tão importante na vida judaica como o vinho, usada nas cerimonias de casamento, na santificação do Shabat e das festas, no brit-milá (circuncisão) pode ter tamanha distância de propósito? - É por este exato motivo que o vinho precisa ser casher para ser consumido segundo as regras judaicas e fervido, para tornar-se um vinho "mevushal", literalmente - 'cozido". - Mas o senhor disse "requentado". - Exatamente. A "Maison Tropicasher du Vin, Champagne et otrés Lechaims", além de ferver o vinho casher, ainda dá uma requentada para subtrair quaisquer dúvidas sobre sua casherilidade. - Isto me faz lembrar o Tshulent requentado que comemos depois do Shabat. Que azia... - Paspatorah, seja mais reservado! Quiçá seu mal estar advenha do balouçar desta nave... Veja! O navio está atracando, estamos em Haifa! Logo vamos pisar as areias sagradas da Terra Santa!!! O navio demorou a atracar. O Porto de Haifa estava sendo inspecionado por uma força tarefa especial que visava identificar sinais de alerta pela aproximação de Sir Pinchas, o que provocaria frisson na alta sociedade local, pois as moças casadoiras sabiam ser esta uma oportunidade imperdível para desencalhar com estilo. Mas nem por isto nossos nobres heróis deixaram de aportar na cidade que seria conhecida no futuro como a "Suiça do Oriente Médio", por suas lindas alamedas ornadas de flores e canteiros com arbustos desenhados nas formas mais versáteis e formosas. Para evitar o assédio da imprensa local, Paspatorah decidiu que era hora de tomarem uma atitude invejável. - Sir Pinchas, vamos trocar de lugar. - Mas Paspatorah, já estamos chegando, além do mais foi você quem pediu para ficar na janela durante a viagem. - Não me refiro ao lugar na cabine do navio, mas trocar de papéis. - Desculpe, mas o meu guardanapo ainda está limpo e o seu já foi usado, estou vendo as marcas do macarrão à Tropicasher com molho de maracujá, aliás... uma delicia! - Não me refiro a isso, também, mas a trocar de identidade. - Paspatorah, ficou mishigne, majnun? Você tem um bigodetão grande que sempre tem que pagar dois cortes no barbeiro, acha que ninguém vai notar a troca? - Sir Pinchas, creio que o chacoalhar do navio perturbou seu intelecto. Me refiro a assumirmos cada um a identidade do outro: doravante eu serei o senhor e o senhor será eu. - Mas, Paspatorah, se eu for você e você for eu, porque eu sou você e você sou eu, então eu não serei você e você não será eu. Mas se eu for eu porque eu sou eu e você for você porque você é você, então eu serei eu e você será você! [Rebe de Kotsk] Um homem que desembarvara junto a eles os ouvira e tratou de contemporizar com Sir Pinchas: - Muitas vezes a vida é uma parábola reta, onde os vertices se encontram despropositadamente. Você acaba de solucionar um quesito de minha vida para o qual há anos eu buscava uma solução. Agora não mais viverei tentando imitar a felicidade alheia, mas buscarei a minha. Sir Pinchas nem imaginava que naquele momento dava um passo importante na conquista do Shiduch perdido, pois este homem era ninguém menos do que Ani Kamocha, um dos maiores mímicos do oriente médio, que decidiu abandonar a profissão e passou a aplicar na bolsa. Em pouco tempo tinha a maior fabrica de bolsas de Israel, que dava emprego a milhares de familias e cujo sucesso era um bolsinho inteiro com abaco embutido, que poderia ser usado para cálculo do maasser (dízimo) ou quantia de tsedacá a ser depositada no bolsinho. Eternamente agradecido, Ani Kamocha, que mudara de nome para A.R. Money - mais condigno com o recém nascido homem de negocios, decidiu dar de presente a Sir Pinchas uma carta de exploração exclusiva dos produtos A.R. Money em toda a Bretanha. Mas deu-lhe um conselho: - Sir Pinchas, nem sempre as melhores chances de sucesso estão onde ele parece estar. É certo que Israel seria o melhor lugar para se achar um Shiduch, mas pode ser que para você, existam ainda novos horizontes espirituais a serem explorados. O Talmud diz que um judeu pode deixar a Terra de Israel se for para encontrar uma esposa, encontrar sustento ou para estudar Torá. Por isso vá em frente... siga até o Oriente. Tente, ouse, experimente. Com fé, mas vá em frente.
- Vamos Paspatorah, deixe as compras para depois, acho que o camelo não vai aguentar o peso.. - Sir Pinchas, não posso deixar para trás todas estas bolsas que o sr. A.R. Money nos presenteou. Olhe! Tem uma bolsa especial para colocar Talit e Tefilin com uma bússola talhada em Jacarandá do Novo Mundo - devem valer uma fortuna no Oriente! - Paspatorah, vejo que o sol e a alimentação condimentada lhe fizeram perder o rumo: em primeiro lugar, cada bússola pesa sozinha uns quilos, pois ainda não existem bússolas portateis, mais os cinco quilos da bolsa, multiplicado pelas cem bolsas que você quer distribuir no lombo de cinco camelos, nos dará uma dor de cabeça enorme, além do fato de não haverem quase judeus no Oriente para comprar estas bolsas. Portanto deixe tudo aí. Você pode levar as cartucheiras para caneta de Shabat se quiser. - Mas Sir Pinchas, não existem canetas de Shabat, além do mais... - Paspatorah, não discute e monte o camelo. Oy Oy, Zilber!!! - O vem a ser "Oy, Oy, Zilber", Sir Pinchas??? - Uma saudação eficaz que um tio meu fazia sempre que montava seu pangaré. O nome dele era Yancale Zilber e isto ajudava a divulgar sua revendedora de cavalos na Bielorússia. - Entendi... PRÓXIMOS CAPÍTULOS A província de Zhai Ghe Zint Nadando até o Alaska, que lasca! Can... Nada! My ami! Duas Calas em Dallas Pedi arrego em San Diego Mexicomigo, mexi! Meu bem estaria em Belém? De jangada a Tropicasher City Partindo para o Cabo da Boa Tikvá O Deserto de Calá Hari Pouco falta, estamos em Malta Pega as tralha, arribamo á Itália! A correnteza de Veneza Derrapando até a Escócia O Shiduch numero 80. Não, 79. Não, 80! Não, 79! 80! 79! 80! 79! Eifo Shlomo? Glossário Hebraico: Para quem ainda não sabe, as letras CH nas palavras em hebraico tem som de RR de carro ou J espanhol. Shiduch - apresentação para fins de casamento. Plural = Shiduchim. Chaleh - Chalá em idish. Vursht - espécie de salsichão casher Arís - noivo, no jargão sefaradi. Hering - peixe defumado, o sushi dos judeus. Gartel - espécie de faixa que os judeus mais religiosos amarram à cintura antes das orações. Shadchaniót/Shadchanim - Casamenteiras e Casamenteiros. Segulót: espécie de simpatias judaicas. Exemplo de Segulá Tropicasher para encontrar uma mulher bonita e rica, que te adore: feche os olhos e imagine que você encontrou uma mulher bonita e rica, que te adora. Chamsa; Tehilim; Tumbas de Tsadikim; Tikunim e Kameot - pela ordem: Ícone cabalístico contra mau olhado; Livro de Salmos; Endereços de túmulos de homens justos, tais como Rabi Yonatan ben Uziel, Rabi Nachman de Breslev, Rabi Meir Baal Haness, e os demais; Remédios Espirituais e Amuletos Cabalísticos. Bekarov Etslechá: "Soon by you" em Inglês; "Que você seja o próximo" - frase dita em casamentos de gente jovem que se casaram com muita facilidade a singles com mais de trinta anos que estão tendo muita dificuldade nesta área da vida. Dá um azar danado ouvir uma frase destas logo depois da Chupá, se você for daqueles que não consegue se casar, indiferente de quanto esforço faça para isso. Chupá - pálio nupcial usado nos casamentos judaicos. Para os tais singles que demoram a encontrar a alma-gêmea, uma espécie de linha de chegada numa maratona de 500 Km onde você só consegue correr alguns metros. Meidale - moça, menina em Idish Pó - aqui, em hebraico Peyes - forma Idish da palavra "peót" em hebraico. Peót - os lados da face que os judeus são proibidos de raspar à navalha ou qualquer metal afiado. Nishguit - mistura idish de nisht (nada) com guit (bom): ou seja, aflição, nervosismo, etc. Tefilá Hadérech - A Oração do Caminho, feita quando em jornadas longas que podem apresentar perigo. Kneidalach - bolinhas de farinha de matsá para comer com a sopa. Tsniut - recado, leis judaicas relativas à proximidade entre homens e mulheres. Chrein - erva amarga com beterraba, iguaria tipica dos judeus do leste europeu. Tsaar Baalei Chaim - É proibido causar dor e aflição aos animais - Talmud Olam Habá - Mundo Vindouro Agala - carroça em hebraico Chacham - erudito em Torá, segundo o vocabular sefaradi. Shamash - zelador de uma Sinagoga. Gabai - tesoureiro de uma Sinagoga. Moshavot - povoados instalados em Israel cerca de 120 anos atrás principalmente para cultivo de viniferas, financiadas pelo judaísmo europeu. Majnun - Mishigne, em árabe. Mishigne - Majnun, em idish. Chassid - literalmente "Pio", mas também é uma alcunha do movimento dos Chassidim. Aliá - literalmente "subir". A Torá chama a ação de ir para Israel de "subida", por considera-la a mais elevada de todas as terras da Terra. Qualquer semelhança com pessoais reais é mera Hashgachá Pratit. |
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