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Tazria & Metsorá PDF Imprimir E-mail
Escrito por Paulinho Rosenbaum   
Dom, 19 de Abril de 2009 01:05
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O PATINHO FREILECH!

Uma vez fui de carro de Miami a Toronto, em missão especial do Tropicasher.

Foram quatro dias de viagem de carro em estradas retas, sem buracos, cheias de policiais e de pedágios,  mas também cheias de comida casher em quase tudo que é biboca e posto de gasolina.

No meio do caminho fiz paradas estratégicas para descansar, rezar e rangar. Uma delas foi em Jacksonville, onde termina a Flórida e começa os Estados Unidos.

Ao chegar, estacionei o carro em frente a um Motel (lugar na estrada onde se dorme quando em viagem nos EUA) e rezei Minchá.

Após a reza, abri o lanche casher que havia comprado em West Palm Beach, comi um delicioso sandubão de pastrami e joguei o resto do pão para uns patinhos pretos com cara verde, que nadavam no lago em frente ao Motel.


 

Segundo a tradição judaica, devemos dar o resto do pão e do que comemos aos animais, ao invés de jogar no lixo.

Quase todos os patinhos eram pretos com cara verde. Só um era todo branco, como o do gibi.

Notei que o patinho branco não se aproximava dos naquinhos de pão que jogava aos pretos com cara verde, talvez por acanho, ou por medo dos outros. Então, a título de experiência, resolvi mirar alguns naquinhos perto do patinho branco e os atirei em sua direção.

Fiquei apreensivo, por temer que os patinhos pretos investissem na direção do branco e não o deixassem bicar os naquinhos de pão. Qual não foi minha surpresa, ao ver que os patinhos pretos com cara verde deixaram o branco bicar os naquinhos sem interferir ou se aproximar, para não estressá-lo.

Achei o gesto muito bonito e pensei em aplicar uma lição de Torá nisto:

Nesta parashá a Torá ensina que, quando uma mancha colorida aparecia na roupa ou na casa da pessoa, esta deveria chamar um Cohen para verificar a procedência da mancha e sanar o problema.

Desta maneira, podíamos saber diretamente onde havíamos falhado e o que fazer para consertar o erro.

As cores diferentes serviam então para que pudéssemos ver que algo está nos faltando - neste caso alguma virtude - e que devíamos consertar nosso erro para voltarmos a ser como éramos antes.

O Maharal de Praga nos ensina no seu comentário sobre esta parashá, que o corpo humano foi feito com a capacidade de adquirir moléstias, para que a alma, perfeita por definição por ser talhada no Céu, possa ver que algo está lhe faltando e apressar-se em evoluir neste sentido.

Sem as falhas e moléstias do corpo, a alma não seria capaz de notar suas limitações.

Por este motivo a Torá exige que um Cohen examine a Tzará'at que acomete a pessoa e dê o antídoto de acordo com a cor e teor desta aflição: pois é mais fácil que outra pessoa indique onde erramos do que o percebamos sózinhos. A Torá espera o mesmo tipo de atitude entre todos os judeus.

Uma vez, o rabino Eliahu Rachamim Zini do Technion de Haifa e da Ieshivá Or Vishua, me ensinou o seguinte: "Ahavat Israel é amar principalmente um judeu que pensa diferentemente de ti".

 

Quando a Parashá Tazría vem junto com Metsorá:

LASHONAROL LAVA SUA ALMA MAIS BRANCO

A parashá METSORÁ fala das doenças que afligem a pele da pessoa que difama o próximo.

METSORÁ lembra MOTSI SHEM (difamar em Hebraico).

A difamação é tão perigosa, que além de ferir o próximo, deixa um rastro de destruição inconsolável, porque não sabemos aonde isso vai chegar.

Como no caso dos e-mails, dos quais não temos controle de quem reenvia, por isto precisamos parar para pensar o que escrevemos, pois jamais teremos controle total da extensão dos nossos atos.

Nesta parashá a Torá ensina que a pessoa que contraiu a lepra do tipo Metsorá deve se afastar do acampamento por alguns dias, até que a lepra desapareça.

Isto tem um efeito moral muito interessante na pessoa: estando sozinha, sentirá a falta da sociedade e refletirá nos erros cometidos, desejando repará-los para voltar a viver com a comunidade.

Como fazer então, para não cair neste pecado tão freqüente?

O Talmud ensina: "Não se apoie somente em seu discernimento".

Por isso estudamos a Torá, escutamos nossos Tsadikim e rezamos a Hashem para que nos ajude na vida e na nossa tarefa de nos aperfeiçoar moralmente.

Muitos dos conselhos dos nossos sábios exigem autoanulação, freamento dos sentidos e paixões, resfriamento dos impulsos e uma dose muito grande de Messirút Nefesh (auto-sacrifício), produto nem sempre propalado pela sociedade ocidental, ávida por fazer o homem consumir cada vez mais, necessitando para isto atiçar seus instintos, paixões e vaidade, ao invés de cerceá-los.

Mas se estamos no caminho certo, não devemos nos preocupar se não nos aplaudem ou nos desencorajam ao estudarmos Torá e cumprirmos mitsvót, principalmente quando o fazemos em público.

Se agirmos assim o sucesso está garantido e Hashem estará sempre nos apoiando!

Amén!

 

 

Glossário:

Ahavat Israel = Amor e união entre todos os judeus, o que não exclui o respeito por outros povos.

Freilech = alegre, em Idish

 

 

Minchá = oração verspertina, consagrada pelo patriarca Isaque e rezada em geral antes do por-do-sol

 

 

 

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